terça-feira, 30 de dezembro de 2008

37. TIM TIM ! UM BRINDE


Gostaria de fazer um brinde aos meus companheiros que me acompanharam com garbo e elegância no ano 2008. Meus lenços e meus chapéus, aqui representados pelos meus preferidos.
Tim, tim.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

36. QUE VENHA 2009!!!




Quando chega o final do ano sempre fazemos uma lista do que deu certo ou errado e também fazemos os planos para o ano seguinte, neste caso 2009.
Na maioria das vezes o nosso balanço do ano que passou é positivo, e se chegamos aqui escrevendo ou lendo este blog significa que estamos vivos, nem sempre vivinhos da silva, mas “positivos e operantes”.
No meu caso o ano foi mutiiiiito positivo, por incrível que pareça. Foi bom porque o câncer me deu a possibilidade de ver o mundo de outra forma, e me despeço de 2008 com uma vontade enorme de viver como há tempos não sentia.
Fiquei pensando no assunto e afirmo, que a última vez que senti algo parecido foi quando minha filha Elisa nasceu. Lembro que quando ela saiu do berçário para mamar pela primeira vez eu olhei para aquela pessoinha ali pequena e vulnerável, e para aquele rostinho doce e lindinho, e pensei: não posso morrer de maneira nenhuma nos próximos 15 anos!!! Pelo menos até que ela já possa se defender e aprendido um pouco mais do mundo e claro, que eu já tenha deixado uma previdência privada que garanta a sua formação até, pelo menos, o fim do ensino médio (na época segundo grau).
Amamentá-la foi o gesto que despertou em mim uma vontade de viver nunca sentida e de uma convicção inabalável .
Neste ano de 2008 que acaba, o peito cheio de leite que me fez ficar enorme e potente, é o mesmo peito que me faz novamente ficar enorme e potente e agora, pela falta dele. Porque ele se vai em breve, mas deixa na falta a mesma vontade de viver daquele dia, há 12 anos atrás. Ele se vai, mas com excelentes serviços prestados porque tenho certeza que a melhor coisa que fiz com eles nestes anos todos que eles estão comigo foi alimentar minha filha, como bem lembrou minha amiga Lulu.
Feliz 2009 para todos nós, que por motivos diversos, temos uma enorme vontade de viver.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

35. FELIZ NATAL !


Nossa, fiquei muito feliz com os encontros natalinos, me fizeram muito bem e força para começar 2009 com o pé direito. Fiquei mais disposta e com vontade de sair para ver os amigos, ir nas festinhas de fim de ano, happy hour com o "povo do cinema" - Marco, Vilma, Vera, Andrea, Glaucia, Jorge, Helena que é prima do Jorge, Gisélia, Erica, Anita, Flavia, Germana -, o café da manhã tradicional de natal da minha sócia, amiga e marida RRRRRRRRRRRRôse - Rosa, Tuco, Dandam, Mauri, Lulu, Fabi, Nina, Paola, Geraldinho, Alice, Natara, Tereza, Virginia, Alice 2, Cris, Imperatore, Perroni, Paola 2 , Tom Tom, Cézar, Vinícius, os meninos do escritório, enfim, cumpri todo o ritual desta data querida e estou feliz da vida, hô, hô. hô.
Ainda falta a festa da família, que vai ser o "Gran Finale"!

Feliz, Feliz, Feliz, Natal para todos nós!

sábado, 20 de dezembro de 2008

34.ACREDITE, ALGUNS AMIGOS INFELIZMENTE TAMBÉM PODEM TER CÂNCER.


Susto. Este foi o clima predominante da minha semana. Recebi um telefonema de uma pessoa muito querida, minha companheira de trabalho por aproximadamente 12 anos e mais 07 , de quebra, como amiga só e eventualmente colega de trabalho. O telefonema era quase tímido: e aí, como você está? E o tratamento? É mesmo? E a Elisa? E eu contando tudo, animadíssima, computador ligado na frente e mandando os emails enquanto respondia as perguntas que ela fazia, com pequenas variações das perguntas que muitos amigos fazem e eu já respondo no automático, não sem carinho claro e morta de alegre que tenham lembrado de mim. Fazem parte do grupo de resposta padrão, como naqueles sites que vem as “perguntas freqüentes”.
Aí de repente, parecia que me deram um “telefone” ou “sabacu” como dizem na minha terra, bem no meio das orelhas. “Sabe o que é”, continua ela com a voz mansinha que Deus lhe deu, num cerca Lourenço, ou seja , sempre arrudiando o foco da questão mais importante. Sabe o que é Clélia, relutei em te ligar por isso, mas eu também estou com câncer de mama . Falou assim na lata, o que me fez ficar tão destrambelhada que mandei o email que respondia, sem sequer checar se estava com alguma cópia oculta perigosa,tipo, uma amiga falando mal da outra e você no meio.
Puta merda, com licença da palavra, dá pra a entidade superior dar um tempo nesse assunto na minha vida? Caraça! Haja peito pra encarar uma história dessas.
Me aprumei na cadeira, entrei na pista rapidinho e fiz aquela pergunta também padrão para quem dá uma notícia desta natureza: Tem certeza?! E, em seguida, engatada uma na outra, a mesma frase padrão de uma hora assim... “vai dar tudo....”, e parei ali, no meio da frase! Não sou um ser superior para ficar adivinhando o futuro das pessoas e dizer vai dar certo em vão. Não que eu não deseje isto, pelo contrário, toc,toc,toc, mas juropordeus, pra mim foi muito chato ouvir isso quando recebi o meu diagnóstico, e tive que compartilhá-lo com outras pessoas que mal conhecia e por motivos dos mais variados. Na maioria das vezes soava que nem "puxa, como eu gosto de banana’, "que calor que está fazendo hoje, heim" ou algo assim. Esta segunda frase sim, não pode ser no automático.
Passado este momento de susto e perplexidade, veio a reação seguida: vamos lá, tem que ser rápida, que exames você já fez, quem é o oncologista, qual é o procedimento, qual a clínica, e etc e tal.
E aí a quarta feira engatou na quinta e na sexta, veio tudo na cabeça novamente, a minha dor nas pernas e meu inchaço voltaram, o astral baixou e fiquei com o coração apertado, triste por ela, cabisbaixa, como se tivesse perdido momentaneamente uma Capitã condecorada do meu exército de cura, afinal a Wanda é uma guerreira que esteve (está) sempre ao meu lado, mesmo que estivesse longe. Quando ela me ligava, eu perguntava na brincadeira e aí Wanda, tua mãe tá rezando por mim? Não sei o motivo, mas acho que a mãe dela tem o telefone vermelho do ser superior
Há um mês, exatamente, eu acabava a minha quimio e ela agora começava, e mesmo sabendo que ela está acostumada a vencer dificuldades, sei como ela se sentia nesta primeiro semana, o frio constante na barriga, o excesso de informação e das novidades que a gente vive, e então voltou tudo naquele momento. Ninguém está preparado para um diagnóstico de câncer, e mesmo que eu tenha "arrumado" uma maneira de lidar com o meu, afinal de contas acabei encarando com bom humor na medida do possível, existe também uma lista de sentimentos que se encaixam no padrão e no basição destes primeiros dias. Numa espécie de "variações"sobre o mesmo tema.
Agora já passou o susto e fiquei até orgulhosa da minha desenvoltura, podendo assim responder e me adiantar a várias perguntas que pulavam na sua cabeça. Falar do câncer segurando sua mão e a deixando mais tranqüila, descendo junto na enxurrada de novidades, medos e informaçãoes que ela foi obrigada a conviver sem querer. Mesmo um pouco capenga, faço parte do Exército de cura dela. Os nossos exércitos são aliados.
Tenho certeza que ela ficou um pouco mais aliviada, e eu também, de diminuir um pouco a loucura deste momento . Vamos nessa Wandinha, tô contigo e não abro, mesmo que seja pra te contar o final do filme.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

33.SEIO, SAUDOSAMENTE ME DESPEÇO DE VOCÊ


Posso ser muito cara de pau, mas começo a pensar no que vou fazer pré masectomia, marcada para o dia 15 de janeiro.
Além dos exames, claro, o que fazer com a filha que está de férias e que a empregada também, claro, o escritório que não pára porque você vai tirar o seio, claro, a alimentação vigorosa para uma recuperação espetacular, claro, e Oiêeeeeee, como me despedir dos meus seios, agora, que ainda são uma dupla e que se deram super bem nos últimos 35 anos?

Resolvi fazer uma lista pequena de 03 ítens.

Topless – Nunca tive coragem, esta vai ser a hora.
Foto do colo nu – Preciso fotografá-los no original, daqui a alguns anos preciso me lembrar como eles eram.
Olhar bastante no espelho – Todo dia, 3 vezes por dia, no mínimo.

Aceito sugestões.

domingo, 14 de dezembro de 2008

32. FRASE DO DIA


"A única profundidade que os homens admiram em uma mulher é a do seu decote”. Zsa Zsa Gabor
famosa atriz e socialite nascida no leste europeu e radicada nos Estados Unidos.
Fez mais de 30 filmes e teve em torno de 8 maridos.
Nossa mãe, será mesmo? estou ferrada nos próximos 6 meses..

sábado, 13 de dezembro de 2008

31.UNHA ENCRAVADA.. SERÁ QUE É CÂNCER?




De dois dias pra cá tenho me sentido meio mais ou menos, meio pau meio tijolo... assim, meio doente, sabe como? Peço licença para contar um pouco minhas mazelas, bem pequenas. Nesta semana, dia bonito, resolvi ir para a terapia de bicicleta. Peguei o MP4 da minha filha Elisa, o tênis que estava com saudades de dar uma volta na Lagoa, protetor solar, chapéu de Chicago que minha amiga Tissi trouxe pra mim e - bom dia Rafael, que calor heim, pois é o Vasco, e será que a Flora vai matar o Gonçalo? e tal e coisa. Na volta pego o jornal, tá bom?
Saí serelepe, me achando a atleta do século. Pois bem, 10 minutos e 03 músicas depois estava de língua de fora e as pernas não me obedeciam de maneira nenhuma, tinham vida própria e nem de perto combinavam com o meu estado de espírito. Num trajeto que fazia normalmente em 15 minutos fiz em 45, e ainda bem que saí com tempo, senão teria pago uma sessão de terapia só pra dizer tchau Leila, até semana que vem.
Cheguei lá no consultório quase carregando a bicicleta tamanha a dor que sentia nas pernas quando pedalava, num misto de muscular com ossos, estranhíssimo. Pois, já de volta em casa, depois de pedalar ou empurrar a bicicleta por mais 45 minutos, pensei, acho que um banho relaxante me fará bem. Fez. Saio para o batente e no final do dia os pés inchados e as pernas doendo mais ainda, mal conseguia subir a escada de 05 degraus da portaria do prédio, e ainda fui ultrapassada pelo casal de idosos simpáticos e animados que moram no andar de cima pra quem eu repetia sempre que encontrava: : "quando crescer quero ser que nem vocês"! Eles devem ter pensado: Du-vi-de-o-dó, essa aí?
Nunca fui de telefonar para o médico por qualquer coisa, sou produtora e não tem nada que me irrite mais do que um telefonema fora de hora e invasivo, sem motivos para tal. Eu e minha sócia e marida RRRRRRRoooose temos um acordo tácito, que nunca combinamos de fato mas é um forte motivo para estarmos juntas até hoje: depois das 22:00 e antes das 9:00 da manhã nunca ligamos uma pra outra à toa. Somos parceiras há 15 (14?) anos e conto nos dedos às vezes que isto aconteceu. Talvez por motivos fortes como: Oi Clélia, amanhã vou pra maternidade, a Rosa parece que vai nascer , então não vou ao escritório, ok? Ou, oi RRRRRRRRRRRôse, não vai dar pra ir com você na reunião amanhã, foi diagnósticado um câncer de mama em mim e acho que não vou estar concentrada o suficiente. É claro que estou exagerando (dã), mas é por aí.
Ela é diretora de cinema e tv, roteirista, escritora e artista, ou seja, tem todos os ingredientes para "dar defeito" mas acima de tudo tem respeito pela minha condição de produtora, ao contrário de muitos que andar soltos por aí. E como nós produtores, o médico come, tem família, namora, e de vez em quando tira aquela roupa branca e se torna outra pessoa. É bom respeitá-lo, e pensar 2X antes de ligar por qualquer unha encravada. Mas confesso, não agüentei e liguei. Quando a gente tem um câncer fica fácil pensar que vai ter mais um despontando em outro lugar. Tudo vira um “perigo”, e a gente fica com as antenas paranóicas ligadas! Qualquer coisa que a gente sente fora de contexto absurdo que já vivemos, pimba, acende o alerta vermelho e as sirenes internas saem pelos ouvidos.
Pois bem, liguei e "aí, pode falar?"Pós medicada e sem o desconforto que as dores estavam me dando antes , pensei: nossa, é o verão chegando por isso o pé inchado e é claro, as pernas um pouco mais enferrujadas que o normal e só. Dr. Eduardo disse que não tinha nada a com a quimio recém terminada e nem com o ciclo de 05 injeções "grandeloquinhas" que havia tomado . Sei que ele fica atento e eu também, ora pois, era só o que me faltava e um reumatismo (ou similar) agora, fala sério, como diz a Elisa e sua turma.
Resolvi relaxar e fazer um alongamentozinho básico e tomar uns muitos litros de água a mais que o habitual e sei que pequenos hábitos podem me ajudar bastante...Vamos a eles.
Peralá, xô paranóia ! Comigo não,violão. Agora, se aparecer de novo, e não conseguir falar com ele ( o que nunca aconteceu) acampo em frente em frente de sua casa e pronto! Simples.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

30. AINDA ESTOU COM MEUS SEIOS, E DAÍ?




Hoje fui na primeira consulta com o Dr. Maurício, meu mastologista gato, pós última sessão de quimioterapia. Fui com a minha marida RRRRRRRRRôse, fiquei com medinho de ir sózinha. Mas me sinto muito à vontade quando estou lá, o Maurício é todo equipado: laptop na mesa, um pen drive que trás sempre informações atualizadas do mundo inteiro sobre o assunto “mama”, vídeos que explicam tim-tim-por-tim a cirurgia, além de estar sempre elegantemente vestido.

Só tem um problema quando vou lá: o ar condicionado. Nossa Senhora de Copacabana, que frio! Fico com impressão que vou achar a D. Marlene (sua bem humorada secretária) congelada com o telefone no ouvido quando sair da consulta, e fico aliviada de não ter tido pneumonia durante todo o meu tratamento, quando minha imunidade estava baixa.

Mas o Dr Maurício me deu Good News. O fato é que os meu tumores, o Santa Maria, Pinta e Nina secaram igual uma uva passa e se mandaram, ficando somente umas calcificações, óbvio. Sendo assim vou tirar UM seio só e não os Dois! A cirurgia será dia 15 de janeiro. Não me perguntem por que, mas pra quem achava que ia tirar os 02, estou feliz pra burro! Estou no lucro. E estou clinicamente fora de perigo, que beleza, hu, hu, que beleza.

Não sei se foi a reza da turma de Manaus reforçada pela Tâninha, que é devota de São Judas Tadeu, ou o crédito do papai pela ciência, o pensamento positivo do Babá com medo de passar por tudo outra vez e agora com a sua prima preferida ou do Geraldo por mandar um f....-se, podem tirar até meu p.....!

Mas é claro, a quimioterapia prescrita pelo Dr. Eduardo ajudou bastante, e fiz tudo que ele mandou.

Então, quando botar o seio novo, faço plástica no antigo. Como estou careca e me despedindo dos peitos velhos, vou inventar uma personagem para este momento , Ipanema nunca mais será a mesma! E Finalmente farei topless no início deste verão, um desejo antigo, já que no próximo ninguém me reconhece mesmo :) !!!

Minha avó Maredina morreu há dois anos, e lembro sempre dela como aí em cima, aos 90 anos, e sempre faceira. A vovó era uma gata, de longe uma das mulheres mais lindas que conheci.
A tia Dodora falando comigo hoje lembrou de uma das suas máximas: “temos que ser vaidosas, cultivando a beleza do corpo, uma vez que ele é o templo da alma”, segurando a medalha da Igreja Messiânica.
Nunca concordei tanto com você vovó. Grande Maredina!

domingo, 7 de dezembro de 2008

29. LIVRE-SE DO CÂNCER E DOS CHATOS e VÁ PRA CASA DA NOCA


Nesta época do ano, como diz um amigo meu, todo dia é sábado! Realmente. É festa de fim de ano no escritório, na casa de algum amigo próximo, é bazar, é apresentação da filha na escola de música, no coral, ou até na acrobracia aérea, como é o caso da maluca da minha filha Elisa e da Eurídice, para minha apreensão e da Gláucia com as meninas penduradas em tecidos a 4 metros de altura. Tem os aniversários que caem em dezembro, como o da Noca, que naturalmente viram maratonas que começam no café da manhã e acabam no final do Fantástico. Haja fôlego! Na nossa turma de amigos chamamos até de Semana Comemorativa.
Algumas pessoas revemos somente nesta época, e no meu caso mais ainda, pela própria natureza da situação que vivemos quando tratamos de um câncer. A nossa rotina normal é modificada. E aí que entra a “diversão”.
Geralmente, quando estamos fazendo quimioterapia e usamos a cortisona, engordamos ou inchamos, certo? Pois então, acrescente neste quadro uma careca, tire a sobrancelha e os cílios. Montou? Pimba! Neste momento este é o meu caso. Uma pessoa mais gordinha e parecendo um personagem daquelas séries mal feitas, em que aumentam a orelha do cidadão e etc, como “Guerra nas Estrelas”.
Mas eu tiro a maior onda, até exerço bastante a criatividade com esses meus atributos novos, e alguns não tãoooooo novos assim, como o peso, por exemplo, que varia feito uma previsão de tempo. Os conhecidos que te acompanham vêem s mudanças, mas a maioria não. Eu uso uns lenços lindos que a Marcia me deu, uns batons bem vermelhos e pinto as pálpebras de preto, puxando para um olho meio gatinho, sabe como? Aproveito para experimentar estilos que não teria coragem normalmente, me divirto quando vou me vestir para sair, meu guarda roupa vira uma Disney! Acho que alguns vou até incorporar algumas peças quando tudo voltar pro lugar. Penso, estou com câncer sim, mas peraí, sem um pouco de vaidade, nunca!
Então, dia desses fui num evento aqui no Rio, uma espécie de bazar organizado pela minha amiga Zilda, uma idéia bem legal. Estilo moderninho, com livros, cd’s, roupas e bijuterias transadas, objetos estranhos e divertidos para o lar, e por aí vai. Ali, definitivamente, eu não era nem um pouco diferente.
Tinha um monte de conhecidos, alguns muito, outros menos e os que nunca vi. E nesta época do ano também vem o resumo editado, as pessoas chegam perto e comentam sobre o que fizeram, o que deu certo, que casaram, descasaram, escolhem a fofoca do ano, enfim, um encontro social nesta época normalmente se assemelha a uma retrospectiva superficial.
E eu, como estou meio sem fôlego, fico circulando menos. Normalmente sento numa cadeira confortável e fico observando o movimento, e como estou quieta, sempre vem alguém e senta ao lado.
E aí pintam os amigos, gostoso, mas na mesma proporção os que não se tocam e não são tão amigos, e alguns que não te conhecem. Esses então, como reclamam, valamedeus. É o trabalho que está um saco, é a filha que está impossível, é o marido que não comparece, é a empregada que roubou uma grana, é o cabelo que cortou errado, enfim, a futilidade comum de quem quer puxar papo e nunca te viu. No intervalo de comercial desta novela “incrível”da sua vida, como num lampejo de educação, lá pelas tantas, pergunta, e você, como está? Esta hora pra mim é como se fosse o final de capítulo da mesma novela, sabe como? Aqui fica o melhor! E me divirto com um sadismo de Odete Roitman misturado com o da Flora. Abro um sorriso bem grandioso, olho bem nos olhos e digo; Menina, que loucura, e eu que estou com câncer!
Silêncio. Riso amarelo. Olhar pertubado. Mão fora do lugar. Mas uma coisa que eu faço é segurar o meu olhar firme nos olhos da outra pessoa, senão não tem graça. Um minuto interminável e “puxa, preciso dar um telefonema, desculpe, um minutinho” e sai na carreira, sem antes dizer: ah, mas você vai ficar bem querida, incorporando um nostradamus básico. Depois disso, fica evitando cruzar o olhar com o seu, desconcertada. E aí é que eu olho mesmo! E, garanto, se fosse pressão alta, diabete, pedra no rim, síndrome do pânico, ou similar, com certeza a pessoa já engataria uma outra mazela, e não pararia de falar nunca mais! E tem mais, vou ficar boa sim, meu oncologista já garantiu, digo pra figura que já deu no pé e sequer ouviu.
Eta palavra mágica, câncer. Já que ele me veio me dar um susto, vou usá-lo até o fim! Exercito me livrando dos chatos e principalmente dos que alugam meu ouvido e ficam rodopiando em torno de si sem parar!
Obs: Noca seu aniversário foi muito agradável e inesquecível pra mim. Foi a primeira vez que fiquei careca na social com desenvoltura, uma delícia.
Sorry Marlene, não consigo chamar a Noca de Adriana, mas te juro que aproveitei toda a mordomia de seu lar, além de sua companhia agradável e do Almir. Desejo a você, Almir, Bruno, Lu e Bernando um 2009 repleto de alegria e com bons ventos.
Voltando, Noquinha, você sabe que pode sentar até no meu colo e contar toda a novela de sua vida e até o “vale a pena ver de novo”, né? Feliz Natal para você, Claudinho e Lara. I love yous.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

28.JOGA FORA NO LIXO!


Quando a gente está fazendo quimioterapia, ficamos próximas de algumas pessoas que fazem quimioterapia junto com a gente, mesmo dia, mesmo horário, etc. Por motivos óbvios: 2 horas sem fazer nada, solidariedade normal e uma certa cumplicidade. Em 04 sessões vc já sabe sobre os gostos, família, trabalho e amores.
Ah, os amores, que delícia.
Pois então, ontem me ligou uma “amiga” da quimioterapia e que virou amiga da vida, toda feliz e por um motivo de amor. Tinha conhecido um cara muito legal e eles estavam saindo e muito apaixonados. Ambos tem mais de 40 anos, sendo assim já “queimam” algumas etapas numa relação, nessa altura dá pra saber se vai ser bom ou não e se o cara não é um psicopata roubada.
Ela já fez a masectomia e vai colocar a prótese por agora, está bem animada, enfim, vai colocar os peitos novos e os que ela escolheu, olha que beleza!!!!!
Fiquei feliz por ela, uma relação numa hora dessas é muito bom, por todos os lados, e os principais são os clássicos: é bom estar apaixonado, blá, blá. Mas, para uma mulher que fez masectomia ou vai fazer, a coisa fica mais importante ainda, também por motivos óbvios. É realmente bom ter um companheiro (a) para acompanhar os altos e baixos e uma certa gangorra emocional natural na TPM, imagina com “drogas pesadas” e numa situação como a que a gente está vivendo. Um carinho antes e um sexo depois ou vice e versa faz muito bem.

Como já falei numa postagem anterior, eu nunca tive muita sorte no amor. Sabe o dedo podre? Pois é, eu tenho a mão toda! E de quebra, os pés!
Eu gostava, muito, muito mesmo, de uma pessoa com quem tinha me relacionado tempos atrás, um mês antes do diagnóstico. Apesar do pouco tempo que estivemos juntos e por conta das nossas afinidades, não tinha dúvidas de que teria fôlego para viver com ele por mais tempo ainda, e com os anos acabaríamos lendo os livros que deixamos de ler e conheceríamos cidades nascendo ou se transformando. Eu achei que tinha achado o amor da minha vida, o problema é que eu não tinha combinado com os russos. Mifu.
Pois então, depois do diagnóstico ele foi a única pessoa do meu círculo mais próximo que nunca me deu um telefonema. Oi, como vc vai, quer dar uma volta, quer ir ao cinema, vamos sair pra distrair, puxa como você é linda, rsrsrs e etc. E a atitude dele me fazia ficar triste e muitas vezes. Eu estava juntando as pontas e ele era uma ponta bem solta, era importante ter trocado impressões com ele naquele momento tão difícil que eu vivia. Afinal, era com quem eu havia me relacionado afetivamente há pouco e a minha relação com o meu "feminino", como é natural, estava um pouco abalado. Pois bem, cada dia que passava e ele “tô nem aí” eu ficava mais triste e, numa atitude de preservação, fui isolando a pessoa cada vez mais num canto do meu pensamento. E o tempo foi passando e nem mágoa, nem raiva, nem amor, nem decepção, nem... nada.

Uso este exemplo de uma relação afetiva, mas pode ser com tudo, tudinho mesmo!
Com a ajuda da minha querida terapeuta Leila, pude me concentrar no que realmente interessava para o meu organismo: minha cura, eu e minha cura, e de quebra, limpar a área.

Já que estava cortando a gordura, cigarro, carne e aquele programa roubada, aquelas pré-estreias chatas, filmes ruins e lançamentos de livros que nunca iria ler, enfim dei um tempo de tudo que me fazia mal: sensações desagraveis, por favor, mantenham –se a 200 metros de mim!
É bom cortar o máximo e se sentir muito bem com o mínimo.

Mas, queria muito ter aprendido tudo isso tem ter que passar pelo câncer. Queria ter aprendido a me blindar com o que me fizesse mal, dar um gás nas coisas que realmente me faziam bem sem ter que passar experiências que na verdade não me acrescentavam em nada, só me atrapalhavam..
O câncer, por incrível que pareça (toc, toc, to), me fez bem. Ah, sobre o cara? O encontrei mais de uma vez por acaso e num dia desses do acaso,eu, muito gentil, perguntei, como vai? E ele me contou, sem respirar, as mazelas, chateado por que alguém o contrariou, e a vida estava um porre e bla, bla, bla. Usou meu ouvido de pinico, sabe como? Tive a impressão de que eu poderia ser até um poste, bastava o poste falar.
Me despedi, estava com pressa, ia viajar , sai andando e de repente caiu a ficha: Putz, ele nem me perguntou como eu estava? Mas que coisa chata, que pessoa egoísta, vaidoso, egocêntrico, e, além de tudo... deixa pra lá. Nossa mãe, como posso ter perdido dias de sol maravilhosos e alegres com meus amigos, minha filha ou até comigo mesma porque estava curtindo uma fossa daquelas dignas de Dolores Duram?
E continuei a andar. Mas no caminho não agüentei e falei: ei, estou muito bem, obrigada por perguntar! E saí rindo, feliz comigo e pensando: nossa, que pena, ele está mais doente que eu. Só que eu sei o diagnóstico.

Obs: nos encontramos novamente depois de ter escrito este post e até demos risadas. Foi bom...mas bommmmm mesmo, assim bom, bom, tenho dúvidas.
No momento estou mais pros ótimos!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

27.ADOTE UMA POSSÍVEL PORTADORA DO CÂNCER DE MAMA


No dia da entrevista no Sem Censura que contava com a presença do presidente da sociedade carioca de mastologista que esqueci o nome agora (já falei que sou uma sequelada de memória) ele afirmou, ali pra todo o Brasil, quiçá para o mundo, que toda mulher acima de 40 anos tem direito ao exame de mamografia de Graça! Isso mesmo que você leu!!! Todas, todinhas.
Somos 60 mil mulheres por ano (volte duas casas e leia de novo para não esquecer!!!) Confirmando, 60.00 mil. Agora, repita comigo, 60 mil. Camon evribari: 60 mil. Decorou? Pois então, é gente pra caramba, um maracanã lotado, final de campeonato brasileiro. Por favor, contribuam com imagens que remetam a uma multidão de 60 mil, assim não esquecemos deste número assustador e nos movimentaremos mais rápido.
Vou começar então a juntar as pontas. Tem uma coisa que tenho acompanhando com uma certa regularidade pela TV e que boa parte da população brasileira idem é a monstra da Flora começando a se ferrar na novela “A Favorita”. Quero mais é que ela se exploda!!! Mas vou contar um segredo cá pra nós: me tornei uma pessoa tão ligada a outras mulheres que tiveram câncer de mama, que ainda procuro alguma bondade naquela megera vivida pela Patrícia Pilar! Maluca eu, mas é verdade. Bem que o Fernando Sabino falou (foi ele mesmo?) mineiro só é solidário no câncer.
Outra coisa que acompanho grudada na TV é a tragédia que se abateu sobre Santa Catarina, com a intermitente chuva que caiu por lá neste fim de outubro. Acompanho, feito nas Olimpíadas, as soluções que estão sendo dadas, o que podemos fazer, onde posso mandar roupas, agasalhos, telefono para os conhecidos que moram por lá, e por aí vai. Impossível não se emocionar com o que aconteceu com nossos irmãos sulistas. E a solidariedade brasileira mais uma vêz ganha a medalha de ouro em solidariedade.
Então pensei, vou juntar as pontas . Pôxa, será que precisamos vivenciar uma tragédia como a de Santa Catarina para sermos solidários? E sabemos que já, já, a solidariedade começa a dar lugar às festas natalinas, ao presente de amigo oculto, o que fazer com as crianças nas férias, enfim, vira uma solidariedade pontual para a maioria doas pessoas. Continuando. Será que não podemos ser solidários com uma mulher , uma pelo menos nos 365 dias que temos no ano? Vamos no máximo gastar algumas horas dentro desses 365 dias. Não me tornei madre Tereza de Calcutá com o câncer, mas peraí, estou sendo prática. Já sabemos que muitas mulheres são esteio de família, e nas classes menos favorecidas, mais ainda! Elas que cuidam dos filhos, dão jornadas triplas de trabalho, e sem elas, a família vai pro beleléu. Desestruturam, e fica mais difícil ainda dar a volta por cima. Nós vemos este assunto ser abordado em muitos veículos de comunicação.Essas mulheres não têm tempo nem para se olhar no espelho, imagina ir num posto médico fazer a mamografia. E tem a ignorância, o medo, e blá, blá, blá.
Pois bem, adote uma mulher e a leve pela mão ao exame. Pode ser a mulher do porteiro, do zelador, a mulher que te atende na vendinha, a sua vizinha, a lavadeira da sua família, a caixa do supermercado, a moça da limpeza do seu escritório, enfim, não precisa nem sair do seu bairro se não quiser ter trabalho. Mas mire numa e adote. Fale com ela da importância do exame, e se ela não der importância, apele. Fale nos filhos, no futuro, nos netos que ela vai ver nascer, e etc. Mas siga um roteiro e ajude de verdade: veja qual é a mamografia mais próxima, seja realista mesmo e dê o dinheiro da passagem, cobre se ela já fez, morda e assopre, seja doce e firme. Com certeza, já estaremos fazendo alguma coisa pra diminuir esta triste estatística. Você pode salvar não só a vida dela, mas de uma família inteira.
Não espere sair na tv. Adote uma mulher.

domingo, 30 de novembro de 2008

26. ENCONTRO DE FAMÍLIA OU PROVA DE MARATONA?


Como já falei por aqui, minha família é bem grande. Meus avós paternos contribuíram e muito para o aumento da população brasileira nos últimos anos. Tiveram 09 filhos, cada filho teve a média de 3 filhos e cada filho do filho tem a média de 02. Somando tudo isso aos namorados, maridos e ex maridos, mulheres, ex mulheres e agregados próximos, a família torna-se praticamente um número considerável para a contagem do IBGE. Para se ter uma idéia, quando temos que reunir todos não dá pra ser na casa de alguém, tem que ser ou na sede social do condomínio ou no salão de festas do prédio.
Bom, nos reunimos para organizar o pré-natal, ou seja, para tentar organizar o Natal, que resolvemos este ano passar todos juntos, e não em “departamentos” como tinha sido nos últimos 02 anos. É claro que a reunião foi na sede social do condomínio onde 02 tias moram em Itaipu, Niterói, para caber todo mundo e deixar as crianças mais soltas e assim não nos enlouquecerem. Teria churrasco, cada um levada um complemento e pronto, está feito o programa de domingo.
Eu sou a única da família que mora no Rio capital diga-se Ipanema, Copacabana, arpoador, mangueira, Estácio, tijuca e arredores...Todos da minha família moram em Niterói, diga-se praia de Itaipu e Itacoatiara, Museu Niemayer, Lars Grael, Vale das Moças, Icaraí, e alguns moram parcialmente na ponte Rio X Niterói, principalmente os que moram por lá e trabalham no Rio.
É bom frisar que da minha casa para a sede social do condomínio onde seria a “reunião” de família tem uns sessenta quilômetros.
Como falei, estou tomando aquelas injeções “graneloquines”, que me deixam descadeirada, com um certo mal estar e um cansaço generalizado, parece que passei a noite inteira na farra.
Pois bem, me preparo pra sair de casa. Antes vou tomar a injeção, tomo os meus remédios habituais e a homeopatia que o tio Orlando me passou, arrumo uma bolsa que varia de inverno e verão para não ser pega de surpresa e sigo rumo a Niterói com a Elisa, ouvindo no carro uma rádio de seu gosto, e que eu acho até legal, novidades!
Pois então, gostaria de saber quem é o engenheiro de trânsito de Niterói. PQP, um percurso de 45 e cindo minutos vira 1 hora de 45 minutos. Estava marcado para meio dia e só chego às 14:30. Completamente estressada e mais descadeirada ainda, com metade da minha disposição física diária pós granoloquine gasta no percurso!
Chegando lá, beleza Clélia, saudades, como a Elisa cresceu, e pá e coisa e tal. Delícia.
Começamos a “reunião”para resolver o Natal, que na verdade era uma Assembléia, com a condução dos 02 mais velhos da família, papai e tio Basinho. Uma Assembléia mesmo, com inscrição pra falar e tudo, secretária de mesa, Natália e o tio Basinho presidindo. Vale a pena dizer que foi depois do churrasco e de umas 5 caixas de cerveja, ou seja, todos estavam mais ou menos fora de controle, e me deram um sininho que tentava fazer com que todos não falassem ao mesmo tempo. O sininho, a careca e sem cílios, me dava uma moral danada!
Resolvido o Natal, bufet, local, e tal, as pessoas foram se agrupando naturalmente, e um grupo foi jogar buraco, quase uma tradição na família. Eu inclusive. Q-u-e l-o-u-c-u-ra! Na mesa duas duplas e em torno umas 9 pessoas, que faziam de tudo menos prestar atenção no jogo. Era, você acha que a Lulu deve ir na festa, afinal ela só tem 11 anos? Natália falando da entrevista que fez para o Big Brother, outra falando do show da Banda dos meus primos que ia ser à 1:00 da manhã, e 02 até discutindo a relação! Um bando de doidos!
Fiquei mais estressada ainda! E ainda tinha que voltar pra casa!
O fato é que hoje não mal consegui sair da cama, tão exausta que fiquei.Quando consegui sair ,fui até a livraria da Mariana tomar um café e voltei correndo, achei que ia deixar minha bunda no caminho de tão descadeirada que estava. Descobri que minha família me deixa mais exausta que a quimioterapia, rsrsrsrsrs.
Mas, apesar da loucura (rsrsrsr), me deixa muito, muito feliz mesmo. Foi um carinho só, abraços, chamego, força, e principalmente, em nenhum momento me senti doente. Aliás, tinha gente mais ferrada que eu: um com diabete, outro com hipertensão, outro com torção nas costas e um até com hemorróida! O meu câncer era o que incomodava menos.
Fim de dia, retorno e chuvinha, enfim minha cama. Mas bem feliz, e chorosa com os efeitos das duas garrafas de vinho que tomei com minha prima Lúcia.
E forte para tomar mais 800 granoloquines, afinal com o astral dessa família as coisas podem até me abalar, mas fica difícil derrubar!
Obs1: ainda fatou um número considerável: Babá (que trás 2), deve estar em algum lugar do mundo falando de e defendendo nossos índios, Zeze na América do Sul estudando os nosso índios e o dos outros e comemorando seu aniversário fazendo o que gosta, Cleísa e troupe em Manuaus, onde também está tia Marelisa. Graças a Desus. Mas como são democráticos, acatam a maioria.

Só mais uma observação: meu pai, que foi eleito o presidente da comissão do Natal,até pq é o único que tem moral além de ser o mais velho da família, pede a palavra: vem cá, quando é o Natal mesmo?
Fecha o pano.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

25. O que Fazer? Sem Censura


Ontem, dia 27/11, fui no programa "Sem censura", da simpática Leda Nagle. Trabalho com televisão, cinema e afins há mais ou menos 20 anos, já vi e fiz muita coisa mas realmente tenho um apego especial pelo "Sem Censura" e acho a Leda Nagle, com sua voz rouca um charme e simpatia. Desde criança (será?), ok, adolescente, assisto este programa e acho um barato a babel que ela faz entre os entrevistados. Tem de artista de circo a empresário, passando pela dona de casa e pela celebridade, e na maioria das vezes dá certo, a diversidade é a alma do programa, e a condução dela é incrível! Leda Nagle para Secretária de Estado! É muito hábil na capacidade de juntar todos que mal se conheciam quando entraram naquele estúdio. Saímos de lá quase amigos, até me apeguei. Além disso, tinha a presença de um médico da Sociedade Carioca de Mastologia, e fazíamos uma dupla muito próxima de outras que já conhecemos, ele era a tese e eu a prova.
Bom, fui lá falar do blog e foi bacana, me dei conta de que é isso que tenho que fazer entre a quimio e a cirurgia. Escrever bastante, porque agora virou vício dos bons, e fazer uma seleção do que vai ocupar meu tempo daqui pra frente. Percebi que o câncer dá muito mais livre arbítrio!
Deixar de subterfúgios, eles realmente enfraquecem a vontade e acabamos nos rendendo a posições nem sempre confortáveis para a nossa vida e nem sempre a que queremos. É exatamente o "engolir sapo". Este exercício te dá a chance de falar o que quiser com a calma e tranquilidade de um monge budista, sem streess.
Não precisa ter opinião sobre tudo, mas se colocar sobre tudo que incomoda é muito bom.
E não se preocupar se está sendo egoísta ou não. É bom proferir sempre as palavras mágicas: primeiro eu, segundo eu e terceiro eu. Ah, e depois eu.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

24. E agora, o que fazer entre a quimioterapia e a mastectomia?


Bom, estou aqui um pouco tristonha pós quimioterapia. Em cinema, quando fazemos um filme de longa metragem, geralmente passamos em torno de 8 semanas, no mínimo, convivendo com as mesmas pessoas todos os dias, 10 horas por dia. Tomamos café juntos, almoçamos juntos e acabamos quase sempre a nossa jornada exaustos e felizes. Muitas vezes convivemos mais do que com a família, que fica em casa nos esperando, ou muitas vezes, quando trabalhamos fora da cidade em que vivemos, aguardando um telefonema. A gente se afeiçoa, faz amizades, acaba outras, enfim acontece de tudo.
Quando a filmagem termina , dá aquele vazio... Chamamos em cinema Fim de Film Blues...
Pois então, acho que acabei de viver a Fim da Quimioterapia Blues. Puxa, que falta do que fazer que deu em mim hoje. Fiquei até sem vontade de escrever...Mas passa.
Até a masectomia, vai demorar no mínimo um mês, e no meio disso fim de ano, festas no escritório, no prédio, caixinha pra porteiros, entregadores de jornal , presentes pra secretária, mãe, filha, sobrinhos, todo mundo meio excitado, enfim, povo na rua! E Natal e Ano Novo, que sempre dá aquela sensação de.... fim de ano!
E eu aqui quietinha, sem querer nada disso. Ainda estou tomando aquelas injeções granoloquines (?) durante 05 dias, para aumentar a imunidade, e eu as chamo de grandelouquinhas, para baixar a bola dos efeitos colaterias, que pra mim são maiores que a quimio. Fico descadeirada, sooooooono, um pouco de dor nas pernas, um saco! Mas estou até gostando, acredita?! É que assim ainda vejo as meninas e os rapazes da Oncoclínica: Juliana, Mariana, e companhia, me afeiçoei a eles e sei que eles fazem parte do meu exército que luta contra o câncer. Até segunda estarei indo lá tomar a injeção, cumprindo a mesma rotina mas indo diminuindo o rítmo, aí vai passando o Fim da quimioterapia Blues.
Mas sei que, neste momento, não entrei ainda no clima de fim de ano que começa a aparecer aqui e alí, algumas árvores, luzes piscando, aquela árvore enorme aqui da Lagoa.... mas como sou "facinha", já já estarei aproveitando mais e mais o horário de verão aqui do Rio e saindo de bicicleta para dar um mergulho na praia do Arpoador (aí em cima à direita) e colocar aquele biquíni enorme mas decotado em consideração aos meios seios que se vão. E me despedir deles em grande estilo, já que eles me fizeram tão feliz por todos esses longos anos :) .


domingo, 23 de novembro de 2008

23. Última Quimioterapia, Fim de uma Etapa, Feliz Aniversário! Uhhhuuu!


Amanhã, dia 24 de novembro faço a última sessão de quimioterapia, antes da cirurgia, etc, etc, e por coincidência, aniversário do meu oncologista, o Eduardo. Pena que não podemos comemorar depois, eu minha última aplicação (até segunda ordem) e ele o aniversário. Nem pega bem sair pra tomar um chop com seu oncologista no final da quiomio,né? mas o Eduardo é gente boa, e eu desejo sinceramente que ele fique sempre ao lado da ciência e ajude a curar muita gente e também ajudar a acabar o estigma horroroso do câncer. Quando fui na segunda consulta, para a segunda quimio, já com um pouquinho mais de intimidade, perguntei: posso fazer isso, aquilo, aquilo outro? Ele, no alto de sua sabedoria; e ele é alto pra danar, pode, pode fazer tudo que quiser!. Eu AMO este médico, por que eu ouvi tudinho da maneira que eu queria ouvir, "não falei mãe, não disse, pode repetir novamente, por favor? Posso gravar pra mostrar para as amigas e pra minha filha Elisa? Que maravilha viver :)!!!! Foi muito bom pra mim poder levar uma vida normal naquele momento, e também mostrar para os próximos que eu estava bem viva, e bota viva nisso!Vale tudo, só não vale dançar homem com homem, nem mulher com mulher, como dizia Tim Maia, nada contra. Mas nada de excessos!!! Se beber,não dirija.

E eu confio muito no Eduardo, o que é fundamental para qualquer paciente em tratamento. Escolher oncologista é mais difícil que o homem da sua vida, afinal de contas de amor a gente sabe que não morre (muito raro), o estrago é grande mas você supera. Agora câncer mau tratado, nossa mãe, é uma roubada. E depois de confiar, faça tudo que ele manda, vire uma gueixa. Seremos eternamente gratos por este momento de entrega.
O Uhhuuuu do título é da minha filha Elisa, que me ajuda neste momento a escrever no blog.
Mas faço um coro: UUUUUUhhHHHHHHuuuuuu!, vou ficar com as segundas livres!!! E quem sabe, consigo ir com minha amiga Paulinha praquele cineminha mais barato...
Feliz Aniversário Eduardo Bandeira de Mello, meu oncologista gato e gente boa, e muitos anos de vida pra nós dois. Tim, Tim.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

22. Use Cateter, preserve seu braço.


Então, algumas pessoas, com menos de 20 anos, me perguntaram o que era cateter. Pois bem, segue abaixo a descrição direta do Wikipedia (com uma definição mais editada para o nosso caso) e bem básica. Atenção, a figura é opcional, ela pode apavorar maridos, namorados e afins, esses homens são meio frouxos, vide a escolha divina de nós termos os filhos e não eles. Tenho um conhecido que fez operação de apêndice aos 12 anos e até os 20 jurava de pé junto que ainda doía.

Wikipedia:
Na medicina, o cateter é um tubo que pode ser inserido em um ducto ou vaso (cateter vascular), em uma cavidade corpórea natural , possibilitando a injeção de fluidos.
Na maioria dos usos o cateter é um tubo fino, macio e flexível. Entretanto, o cateter poderá ter o diâmetro largo e ser de consistência dura.
O processo de inserção de um cateter é denominado de cateterização.


Entenderam? A segunta pergunta: Pra que serve? Vou ser direta: serve para não deixar seus braços horrorosos quando acabar a quimio (ela queima), e deixá-los livres durante sua sessão de uma hora e meia,. Assim você pode segurar o livro e mudar as páginas ao mesmo tempo, usar o lap-top, abraçar seu filho, cochilar sem ter medo da agulha te machucar, ou fazer o que sua imaginação permitir e a cortina que te dá uma certa privacidade também.
Portanto, se puder, use cateter. Essa foi minha escolha e de meu mastologista (que também é cirugião plástico e entende do assunto). Lembre-se que depois do seu câncer, dependendo da vida que você leva, ainda vai durar muitos anos e é muito melhor ter seus braços em condições favoráveis e lindinho, combinando com seios que você vai usar depois de masectomia.
A colocação do cateter é uma intervenção que não dói, não solta as tiras e não tem cheiro.
Pense no assunto depois que passar o susto do dignóstico.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

21.Dê uma carteirada quando for necessário. Continuando o que é bom e ruim.





Continuando:

Barulho: Acho que eu tenho um trauma enorme com barulho, daqueles que nem a terapia é capaz de vencer. Tudo começou quando era adolescente, quando ia para as festinhas na sexta (chamava matinê) e de manhã minha mãe, uma fanática por limpeza, me acordava com a enceradeira ensandecida no meu quarto. Era assustador! Monstros gigantes roubavam meu sono, e acordava num mau humor danado. Ainda bem que é um eletrodoméstico em extinção. Quem não lembra o que é uma enceradeira, rsrsrsrsrs, no canto à direita. Nota: não é a minha mãe que pilota esta aí.
Ácaros: Manaus é uma cidade que tem a temperatura úmida, portanto não combina com carpete de maneira nenhuma! E os hotéis, que tiveram decoradores vindo sei lá de onde, adoram um carpete, que encobrem inclusive a nossa nobre madeira amzônica, se esvaindo com piratas rio abaixo. Serginho, meu colega de Festival, contou que quando ele abriu a porta do quarto os ácaros deram-lhe boas vindas dançando hula-hula. Eu nem cheguei a ir no meu, e perguntei se tinha carpete. Tinha. Então, colega de câncer, numa hora dessas use todas as prerrogativas que a doença te dá! E dê uma carteirada, sem dó nem piedade e muito menos com culpa. Pedi na mesma hora para mudar de quarto. Estava cansada da viagem, e aí tirei a maquiagem no banheiro mais próximo (batom e lápis para os olhose o blush rosadinho), coloquei uma camisetinha para o meu cateter chegar na comissão de frente e assim ninguém duvidar que eu estava com alguma coisa errada, sei lá o quê. Não sei se eles ficaram com medo que eu morresse ali mesmo, ou alguma coisa parecida, que me mudaram rapidinho para um quarto “com vista para o mar”.
Aliás, nessa viagem usei 02 vezes desta prerrogativa, no hotel e no avião de ida, onde o piloto com certeza estava na andropausa. A temperatura era de 8 graus, todos batiam queixo sem parar, o avião estava bem vazio, então nem o calor humano era possível. Reclamavam e nada! Não tive dúvidas: dei uma carteirada na hora. Com passos cambaleantes e embrulhada numa echarpe, fui em cima da comissária japonesa. "Querida, se eu ficar gripada, posso ter uma pneumonia rápida, estou com a imunidade baixa, e blau, blau", bem dramática. Ah, e processo a companhia. Na hora ficou um “Rio, 40 graus”.
Nós, que estamos com câncer não temos que ter medo de fazer valer nossos direitos, não estamos dando um ataque de tuxina ou um ataque histérico. Estamos sim nos preservando! E qualquer animal faz isso, inclusive os da espécie humana, ora bolas.

Volto às coisas boas. Manaus é o meu canto, e enquanto tiver smiles, o Festival me convidar e se a minha prima Lúcia achar aquelas passagens de R$ 50 reais, é pra lá que eu vou sempre que puder.
O meu exército de células boas agradecem penhoradamente.
Cheguei no Rio. Desta vez, Rio Bailônia, ouooooouoouou...


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

20. Ainda Manaus e outras Cositas Mais


Rever Manaus despertou em mim muitas sensações e sabores adormecidos, que voltaram a pelo vapor. Ou motor!
Mas é claro que, no pacote, vem as coisas ruins também , afinal, nossas sensações tem vida própria, e não são selecionadas como neste avião que acabei de pegar e que a moça do embarque pede com sua voz gentil: passageiros do acento de 1 a 18, por favor para a esquerda e passageiros do acento 19 a 31 para a direita. As sensações vem todas juntas, feito uma pororoca. Vou dar alguns exemplos não tão agradáveis que revivi por lá.

Calor. Minha Nossa Senhora Aparecida do Beco da Indústria , agora entendo porque meus pais optaram em sair de Manaus e aumentaram a população da cidade com o maior número de aposentados do Brasil, a Miami tupininquim, nossa simpática Nitéroi. Em Manaus é de rachar a moleira, minha careca ficou suada mesmo dentro da piscina, acredite. Por isso todo mundo vive no ar condicionado, e a pele da gente vai engilhando e vamos no tornando aos poucos um maracujá. A gente então que está fazendo quimioterapia, nossa mãe, em 04 dias vira um cuscuz daqueles amarelhinhos que sugam até o Rio Amazonas. Os meus hidratantes "especiais" ficaram pela metade em 05 dias. Foi difícil em alguns momentos, quase chorei quando minha mão ficou com uma aparência roupa sem ver um ferro de passar . Então eu recomendo: na hora de dar sua escapadinha para arejar a cabeça, e esquecer um pouco do seu câncer, fique atenta para todas as condições climáticas, temperamentais, de transporte e etc que a cidade te oferece.
E pense no sol. Para nós , os sem cílios, é uma claridade ao cubo, potencializada. Se vacilar vc tem que colocar insulfilme 500 no seu óculos escuro. Para quem faz cinema ou similar, é como se Deus tivesse colocado um rebatedor gigante sobre a cidade. Meu compadre Paulinho Violeta teria que se virar nos 30 para resolver.

E o filtro solar, durma com ele.

Barulho. Não sei por que cargas d’água o manauara, de um modo geral, ouve todo tipo de som às alturas. Se é pra chamar o filho que fugiu para a casa da vizinha é - Joãaaooooo, vem pra casa menino!", num berro que chega a ser ouvido no outro lado do rio, em Manacapuru. Ou para colocar aquela musiquinha ambiente (!), que deveria ser de fundo, é tudo muiiiiiito alto. Quando a gente vê já está gritando uns com os outros, e gesticulando muito para ser compreedido, parecemos mais descendentes de italianos do que dos indígenas, que andam sorrateiros e em comunhão com a Floresta. Aliás, no hotel da selva (ariaú), tudo que fizemos foi não ouvir o barulho sinfônico da mata, e sim um show interminável do Boi Garantido e do Boi Caprichoso, num mantra repetitivo que quase nos levou à loucura. E olha que eu gosto deles e sou Garantido.
Como aboli a peruca, o meu lenço tapa parcialmente os meus ouvidos, e a coisa fica realmente mais fácil.

Vou ter que continuar depois. Preciso desligar o computador, estamos chegando em Brasília e não posso me sentir culpada caso exploda o avião. Se bem que não seria má idéia, se depois de colocarmos os pára quedas, o dito cujo caísse em cima do Congresso, quem sabe viveríamos melhor sem o Ali Babá e os 40 deputados.
Vou aproveitar e comer pitomba que trouxe na bolsa e prolongar um pouquinho mais do sabor de Manaus no meu paladar.

sábado, 15 de novembro de 2008

Frase do Dia

"A cura está ao câncer de todos"
Zéca Cyrino, meu primo

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

19. Tchau Manaus, até ano que vem!

Tucuxi, tacacá, pacú, jambu, pirarucu, tambaqui, jaraqui, uarini, ananã, graviola, cupuaçu, tucupi, tucumã, pupunha, ingá, ...poderia ficar o dia inteiro falando os nomes que ouvi e que estavam dando uma dormida na minha memória, ou que eu pude saborear na minha estada em Manaus, minha terrinha do coração, durante o Amazonas Film Festival.

Mas agora só posso dizer: Vumbura já maninha, tenho que ir embora.

Zeca, Estela, Publio, Vania, Barbosa (meu colega de tratamento), Lucia, Cacau, Helena, Ceita, Mona, Raíssa, Larissa, e mais uma penca de parentes, o meu "hospício' familiar particular, "foi muito bom estar com vocês", como diz aquela apresentadora de tv que mais parece uma paquita vencida.
Agora imagina todo os Bessa Cyrino além dos Bessa Freire (meus tios avós começavam a contar os filhos à partir do número 4), católicos que são, rezando por mim: quero é ver se esse carcinoma já não se borrou de medo e foi-se embora às carreiras...

Vou levar tudo que vivi até o caroço, a força que esta terra me dá, acumular energia para o que vou viver pela frente, skindô, skindô, skindô.

Fiquei tão relaxada por aqui que cheguei a falar num final de dia : "nossa, estou espirrando muito, acho que vou ficar doente"... Ao que o Serginho respondeu, na lata: "ué, como assim? Tá maluca? E caímos na gargalhada... esqueci do babaca do câncer totalmente.

E, para provar sou da gema, olha só a minha desenvoltura e segurança na rede, que beleza. Só faltava achar um bôto pra chamar de meu...aí, confesso, poderia até me perder por aqui...

Eita, esqueci do meu encontro "romântico" com o meu oncologista no dia 24, para a minha última quiomioteria antes da cirurgia.
Meu date com o bôto vai ter que ficar para o ano que vem e tenho certeza que vou encantá-lo mesmo "despeitada".
Ele pode vir quente que estarei fervendo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

18.Cabelo,cabeleira,descabeludo, descabelada


que falei sobre cair no Rio Negro careca (post 17) e que agora aboli a peruca, me deu vontade de contar o ritual da careca.
Meu cabelo estava caindo aos tufos e fui cortando devagarinho, mas mesmo assim era muito desagradável a sensação de ir se desmanchando
Como falei numa postagem anterior, minhas amigas mais próximas tem filhas meninas, todas mais ou menos da idade da minha Elisa, de 9 a 12. Alice, Eurídice, Maria, e Tereza, são as mais velhas, mas tem ainda a Lara e a Antonia, de 7 e de quebra a Rosa, de 4. Eita mulherada! E todas ammmmmmammmmm cabelos, claro.

Aí minha amiga/marida RRRRRRRRRRRRRRôse fez o primeiro trabalho. Pegou a máquina do maridão Tuco, pai de Rosa e Daniel, e deu um primeiro than. Beleza, valeu, até mais.

Depois resolvi fazer disso um cerimonial, chamei Paulinha, minha "irmã" e mãe da Alice que mora perto de mim no Rio e juntei as meninas. Achei que elas deviam ver a transformação da tia Clélia ao vivo e a cores, além de terem a oportunidade de cortar um cabelo de verdade, não só das pobres das bonecas que jamais teriam a sorte de ter os cabelos de volta um dia, como eu teria.

Aí foi uma festa! Ana, mãe da Maria, providenciou o creme de barbear para ficar mais fácil de raspar a cabeça. Aqui abro um parêntese. Meninas solteiras, é fundamental ter espuma de barbear, assim meio por acaso, em casa. Nunca pensei o quanto os rapazes se sentem seguros com a possibilidade de poder fazer a barba pela manhã. Ana é realmente esperta.

Bom, aí abrimos um vinho, e começamos os trabalhos. Paulinha, com sua habilidade com as mãos meio duvidosa, mas em compensação uma das pessoas de minha inteira confiança, começou a raspar meus cabelos que restavam. E as crianças peruando, minha filha Elisa meio cabreira mas Alice, que é hilária, achando tudo uma farra.
A primeira fez tchan, a segunda fez tchun e tchan, tchan, tchan, estava como vim ao mundo, carequinha.
Depois de meia hora as meninas já estavam noutra onda e mudado de assunto, eu e minhas amigas ficamos de conversa na sala mais um tempinho e na hora cinderela todas se foram para suas casas.
Elisa foi dormir e entrei no banho.
Foi um banho bem demorado, chorado, era a primeira vez que me via totalmente sem pelo.
Demorei um tempo extra deixando a água cair na careca. Era uma sensação que me aliviava.
Como a quimioterapia transforma sua pele num cuscuz, acabei o banho e comecei uma demorada sessão de hidratantes, e pela primeira vez coloquei na careca.
No final de tudo resolvi: tudo que economizaria com shampoos neste período doaria para uma instituição de apoio às crinças com câncer. Depois desse dia começei a "comprar" shampoos bem caros.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

17.Deu na Folha de São Paulo e estou no Amazonas.




O blog saiu na Folha de São Paulo e eu estou aqui no Amazonas, para ser mais exata no Hotel Ariaú, um hotel flutuante no Rio Negro. Não consegui ver a metéria ainda, papai me mandou por email mas no papel, não.
Fui criada aqui em Manaus, e qualquer convite para vir até aqui fico bem facinha e venho correndo, a passagem é cara pra danar e eu vim fazer uma das coisas que mais gosto na vida: ver filmes (estou no Amazonas Film Festival) e comer pacú. E é claro, ver minha irmã, cunhado e sobrinhos, além da tia Paulinha, que me espera sempre com uma cerveja bem gelada e um pacu pronto. Um não, 3.
Quando decidi vir, minha mãe, claro, vai fazer o quê, e se pegar gripe, é calor e úmido e os mosquitos, e blá, bla, e depois, vai mesmo minha filha, beijo pra todos e eu fico com a Elisa. Oba. Então, eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou!
É muito bom voltar pra terrinha numa hora dessas. Comer peixe, nadar no Rio, o sabor, o sotaque, tudo remete a infância, quando todos nós somos invencíveis. E tudo que quero neste momento é me tornar invencível!!!
E foi uma decisão acertada. E recomendo.
Não sei se é porque em Manaus tudo é super, o mosquito é enorme,o Rio Amazonas é enorme, o Jacaré é enorme, o céu é enorme, mas estou enorme, renovada.
Quando vivemos uma situação que temos que nos superar, acho que devemos ir em qualquer lugar que nos remeta à infância, a cidade, o bairro, a rua, a música, qualquer lugar ou momento em que a gente encontre a invencibilidade que sentimos um dia, vire quase um super herói.
Cheguei aqui e ainda não deu pra fazer tudo que eu gostaria. Falta tomar o tacacá, comer tambaqui na brasa com farinha, tomar guaraná regente, e çomer cupuaçu até.... bom.
E dizem que graviola faz bem para quem tem câncer. Vou cair de bôca, e sem nenhum esforço feito as linhaças, couves, espinafres e etc que me obrigam a tomar no suco de manhã.
O legal deste Festival é que vim para cá com pessoas que fui conhecendo ao longo da minha vida no cinema, e fico num orgulho danado de mostrar a Manô de mil contrastes. Gustavo, Neville, Zita, Tetê, Di Moretti, Serginho, Caio, Torquato, Mateus, Chico e muitos mais.

Agora com licença, vou comer um tucumã.
Mãe, pode deixar, levo pra você.
Ah, em tempo: mergulhei no Rio Negro careca e foi maravilhoso! À partir de hoje dei adeus à peruca, me achei linda careca e com batom bem vermelho. No Amazonas, pra mim, tudo pode. Nada pode ser mais diferente do que a própria cidade e arredores.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

16.Meu aniversário... câncer dá prestígio, acredite

Claudio, Jê, Felipe e Lírio.
Tenho um grupo de amigos mais chegados, alguns conheço há mais de 20 anos, logo que cheguei ao Rio vindo de Manaus. Outros, mais atuais, ganharam espaço e agora mais chegados também, fazem parte do meu cotidiano de cinema, chopinho, passa aqui, estou perto e vou aí, mergulho na praia , café da manhã de fim de semana, passeios de bicicleta, enfim, pequenos prazeres cotidianos.
Tinha feito a primeira quimio e meu cabelo começava a cair, em tufos, o travesseiro era um Tony Ramos e além de passar o dia tirando cabelos da boca, uma situação pouco agradável. Ia cumprimentar alguém com dois beijinhos e o cabelo ficava no blush, ou também na boca. um nojo. Então resolvi ir cortanto os cabelos aos poucos, bem próximo da peruca que iria usar. Eu recomendo.
Resolvi festejar meu aniversário, dia 09 de julho, inclusive para deixar meus amigos mais tranquilos, afinal, quando você tem uma doença como câncer, na cabeça das pessoas já está com o pé na cova ou similar. E a coisa aumenta em proporções gigantescas, quem conta um conto aumenta um ponto! Já deixei de ser convidada para um jantar "porque estava hospitalizada e muito mal", coisas assim. Contava com a ajuda dos meus amigos para a contra ofensiva, vamos lá minha gente, preciso de axé e não de vudu! Estou bem, me tratando, com tudo em cima.
Aí foi ótimo, marcamos um regabofe light no clube que eu frequento, o maravilhoso Campestre,e o Kiko arrasou nas comidinhas típicas e na cerveja gelada, e acreditem foram TODOS os convidados, numa terça feira, se não me engano.
A Marcia, mãe da minha amiga/marida RRRRRRRôse, me deu uma roupinha nova e lindinha, bem alegre, assim como eu queria estar. E corri pro abraço. E quantos abraços!!!! Foi excelente comemorar esta data, de nascimento e celebrando a vida, muito afeto e companheirismo, muito axé!
Este aniversário me deu uma carga de força incrível, liguei minhas turbinas rumo à cura, não podia de deixar de conviver com aquelas pessoas tão legais, tão queridas, e importantes pra mim.
Não ficar na toca foi e é fundamental, tentar levar uma vida normal é a melhor coisa que podemos fazer por nós mesmas neste momento. Não forçar a barra pra nada, mas poder ser acolhida pelos que você ama nesta hora é muito, muito bom.
E vou contar uma coisa, cá entre nós.
Cancêr dá prestígio.
Como falei, foram T-O-D-O-S os convidados, e alguns ainda de sobra, uma beleza.
Aproveite :)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

15. Para aprender a fazer comentários, passo a passo

Gente, a pedidos por telefone e por e-mail, recorri aos meus universitários e pedi um passo a passo de como comentar. Pois aí vai. Quando finaliza a minha postagem, vem em baixo comentários. Ali você clica e aparece esta tela abaixo: Aí é só correr pro abraço.



segunda-feira, 3 de novembro de 2008

14. Quero minha caminha.... PARA PULAR!!!!

Então, antes de passar pelo Guerra e pela Silvinha, estava falando da minha primeira quimioterpia, ou aplicação, como queiram.

Saímos da clínica e instalou-se um silêncio sepucral entre eu e minha mãe. Ninguém ousava falar nada, ela não perguntar e eu não falar nada para não me sugestionar.

Fomos para casa, e chegamos lá minha mãe soltou toda o seu lado mãe que estava represado até aquele momento. Clélia quer isso, quer aquilo, vc está bem, ta enjoada, fome, está frio, quer que mamãe durma aqui, e etc, etc, e etc. Pára mãe, calma, a doente aqui sou eu! Relax! Está me deixando nervosa! Foi o que ela fez e meia hora depois já estava abalotada na minha proltrona com a minha gata marie, pedindo para colocar o computador no jogo de buraco, e me dá agua, tem coca zero, cadê o controle, o que vamos jantar? etc, etc, etc. Aí eu falei: Pára mãe, a doente aqui sou eu ! E caímos na gargalhada.

Eu estava ansiosa antes, mas agora estava em alfa, como se eu tivesse prendido a respiração pelas 2 horas que fiquei lá e estivesse respirando agora. E o que é melhor, não estava sentindo nadica de nada! Nem enjôo, nem náusea, nem dor de cabeça, fome ou falta dela, tudo normal. Normal até demais. Achei que ia sair vomitando na recepcionista, depois no manobrista do estacionamento, depois no porteiro do meu prédio e na Rai, coitada, que ia abrir a porta de casa, e de quebra na nossa gata marrie. Um horror.

Então, pense comigo agora: cada um é cada um! Ham, ham. Tem gente que sente tudo isso e outras não. Eu sou da turma do outras não, ainda bem. Mas o legal é você nao achar que você vai reagir que nem as histórias que você ouve. Porque só contam isso, dos efeitos colaterias da quimio, do que sentiu, só se ouve coisa ruim, e ninguém conta que não sentiu nada. Você já ouviu no jornal: terremoto mata 200 mil pessoas na China, mas não ouve: terremoto deixa de matar 1 millhão e oitocentos mil pessoas na China, não é mesmo?
Confesso, já senti ressaca muito pior do que a primeira quimio, cruzes, só de pensar fico arrepiada.
Tem muita coisa que conta pra que isso ocorra. O seu remédio pescrito, o seu organismo, seu oncologista, e sua cabeça. É uma análise combinatória. E fica mais fácil agora, que os remédios são mais modernos e os oncologistas sabem que não é preciso matar só o tumor, mas te deixar em condições para ajudar a se curar.
É claro, sou uma sortuda, tudo bem, mas tem um monte de gente sortuda por aí que ja ganhou no bingo um monza ou uma galinha assada, ganhou na loteria, ou achou o grande amor, e por aí vai. Eu nunca fui uma dessas, gastei minha sorte na hora certa.
Em casa, começam a ligar e chega minha amiga/marida/sócia RRRRRRRRRRRRRôse. A preocupação dela, além da minha saúde, claro, era a peruca . Hilária. Ela não sossegou enquanto não escolhemos uma e ela providenciou, depois de perguntar para um monte de cabelereiro qual era a melhor, o que eu achei maravilhoso. Depois conto sobre o cabelo, careca, peruca etc, vale uma postagem.
Eu não senti nada e muitas vezes pensei: caraca, será que isto está funcionando mesmo? Outras vezes fiquei até culpada... louca eu.

Tem a alimentação também, claro. E eu adoro uma rabada com agrião, um pato no tucupi, uma picanha mal passada, sou da turma da pesada, mas a aRai me acorda com sucos que eu nem ouso perguntar o que tem. Sei de uns: couve com espinafre, suco de laranja, linhaça, um pouco de beterrada, gengibre e um pouco de mel. Tudo junto.É de lascar. No mais, uma alimentacão saudável, nada muito pesado, o tradicional grelhado e muito verde, assim, como se você estivesse: doente!

E na hora de dormir, ao invés de querer minha caminha pra deitar e curtir a fossa da minha primeira quimio, queria memo a minha caminha pra pular, feito a Meryl Streep no Mama Mia.... de alegria.
E minha mãe dormiu aqui e dormimos todas bem tranquilas, eu, mamãe, minha filha Elisa, a Rai e nossa gata Marrie. Merecíamos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

13.Pára Tudo: Silvinha & Guerinha

Pára tudo por favor. Esta semana foi estranha, muito estranha mesmo. Na mesma semana, o Guerrinha, um amigo do cinema, foi-se, muito rápido apesar de nos ter dado todos os sinais. E hoje, dia 30, foi a missa de 10 anos que outra amiga, Silvia Gardemberg se foi.
O Guerrinha, só tinha Guerra no nome, de resto era só paz e amor. Todos lembração dele com aquela voz anasalada , o jeito maroto e é claro, o cigarro no bolso da camisa.

Foi muito emocionante pra mim a missa da Silvinha, e hoje foi muito diferente de 10 anos atrás, quando estive no velório dela na Casa de cultura Lauro Alvim e no final de tudo, fomos tomar um porre num bar onde ela tinha descoberto um uísque a 4 reiais a dose. A cara da Silvinha.

Silvinha morreu de câncer, que foi tratado de pulmão mas que foi de mama no início, que era o master do câncer, o guia pra todos os outros.
Os amigos, nós, acompanhamos todos os momentos, é agua na pleura, no pulmão, é isso, é aquilo e Silvinha ia se distanciando da cura. Quando viu, não tinha mais jeito, e Silvinha morreu em NY procurando uma maneira de vencer, até o último minuto.
Silvinha era uma pessoa muito alegre, expansiva e sempre estava aprontadando alguma. É o que chamaríamos de ¨samba, suor e cerveja¨. Era uma das fundadora do Suvaco do Cristo, bloco de carnaval de rua que explode na Rua Jardim Botânico antecedendo a data oficial do carnaval e levando alegria e engarrafamento para a cidade.
Era também a criadora, junto com a irmã / marida Monique, do Free Jazz, Carlton Dance, Tim Festival, entre outras coisas. E levava os amigos em tudo, distribuía convites para os shows (nossa, quanta coisa boa que eu vi graças à Silvinha) e no final do show saía pra farra com a gente, deixando as celebridades com outras celebridades.

Hoje, na missa, me dei conta do que a Silvinha deve ter sentido no momento em que soube que estava com câncer e que não tinha muito mais o que fazer, porque ela só descobriu quando a situação já estava bem difícil. Mesmo assim, continuava sendo muito positiva e não nos deixava ficar de baixo astral perto dela.
Quando lembro da Silvinha só lembro de coisas boas, mas lembro também dos seus olhos de despedida, já numa esfera superior.
Na época não entendia bem, fui muito solidária, mas só hoje sei o que ela pode ter sentido. Com o meu câncer, fiquei mais próxima desta sensação, e pude compreender toda a sua disposição perante às adversidades.
Resolvi que a Silvinha será patrona deste blog, e agradeço a ela boa parte da minha vontade e alegria de viver neste momento.
Silvinha e Guerrinha, divirtam-se por aí onde vocês estão, e nós vemos algum dia, não agora por favor, que eu tenho muita coisa pra resolver por aqui.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

12.Quimioterapia ou Aplicação,ora bolas ?

Voltei à clinica e ao Dr. Eduardo já para a primeira consulta da primeira quimioterapia.
Quando saíamos de casa para ir até lá, chega o meu pai para nos acompanhar. Disse: vim de mercedez com o meu motorista, uma beleza, viajem tranquila. Esta é a maneira dele dizer "oi, estou aqui, vim dar uma força, e tal".
Quanto a Mercedez com motorista, explico: meus pais moram em Nitéroi, e com preguiça de dirigir, ele pega o 999 (quase mil como chamam) ônibus que faz o trajeto Charitas X Gávea dando a volta ao mundo como se fizesse um tour, e que passa bem em frente da casa deles e da minha, ponto a ponto. Jóia.
Meu pai é uma pessoa muito especial e não é por ser meu pai não, o cara é gente boa. Já falei da minha mãe mas não falei do meu paie vou descrever rapidamente os dois.
Bom, minha mãe é muito engraçada, folgada como ela só, animada. Quando chega no pedaço, parece que vem toda a Bateria da Mangueira atrás, além da Ala das Baianas e algumas passistas de quebra. O meu pai é ao contrário, discreto e observador, tímido e preciso, mas o melhor contador de piadas que eu conheço, entre milhares de outras qualidades mais nobres. Além de tocar violão e piano, normalmente bossa nova. Aliás, meu pai é a minha bossa nova.
E é claro que puxei para a minha mãe, só que um grupo de chorinho atrás.

Bom, ele chegou e fomos os 3, rumo à clínica, para aquele dia que todos temiam: a quimioterapia.
Consulta ok, tudo certo, procedimentos iniciais, remédios para tomar caso apareçam alguns sintomas como dor de cabeça, enjôos e febre ligar imediatamente para o médico, telefones úteis, feito quando você deixa o filho pela primeira vez na creche. Igual. Só que eu não ia brincar.
Foi um dia tenso, sabia que agora o bicho ia pegar, e pensava, tenho que ficar tranquila, estou dando os primeiros passos para a minha cura.
A mãe do Robert, brava guerreira, ia para a quimio toda animada, com o pensamento que o tumor ia virar uma uva passa, secar. Eu achava uma boa idéia e fiz força neste pensamento também.
Meu pai me deu um beijo, e foi embora do geito que chegou, silencioso mas presente.
Minha mãe entrou comigo e foi logo se ambientando, conversando com as enfermeiras e olhando tudo em volta, onde é o banheiro, tem água, se está frio, quanto tempo vai durar, o que é isso que estão colocando, e ufa, sabe como é mãe, né? Estava numa excitação danada, nervosa, claro.
Ia durar por volta de duas horas, e na primeira meia hora ela já estava entediada, você está bem minha filha? Esta era a senha, mãe vai dar uma volta em Copacabana e compra sorvete por favor. Foi-se embora para as ruas movimentadas e cheias de vida do bairro mais eclético do Rio, exatamente como uma música de Fausto Fawcet.

Voltando. A sala era bem legal, com um divã super confortável e uma cortina caso quisesse privacidade, uma TV de plasma bem grande no centro em cima sempre ligada na TV Globo no "Vale a Pena ver de Novo", bem no meu horário, pena. De novo? Ficava fazendo as contas se dava para acompanhar a novela até o final do meu tratamento, senão como fazer pra ver a novela durante a jornada de trabalho? Com licença pessoal, vou até em casa ver "Cabocla". Impossível.

Portanto prepare-se para ler, é mais bacana e você pode variar de temas. Mas, como os filmes, literatura leve, coisas belas, algo que deixe você de bem, tô nem aí pro mundo lá fora.
Faça planos para o futuro, ou então ligue para aquela amiga que teve um filho ou que foi avó e você nem falou ainda, ou praquela outra que ficou tão abalada com a notícia que não teve coragem de te ligar. Sem ser Poliana, alô, pense em coisas boas, afinal "nós viemos aqui pra beber ou pra conversar?" Evite pensar nos efeitos que a quimio pode dar, e tente pensar que ela está matando aquela coisa insignificante que é o tumor, ajude a combater o inimigo mas não o despreze.

E preste atenção numa coisa curiosa: nós falamos quimioterapia e eles falam aplicação. Nós falamos, quantas sessões de quimio? Eles dizem, quantas aplicações? Acho que é pra diminuir o peso do nome quimio, assim como do nome câncer, tão cheio de estigma e carregado de temor. Eu gosto de repetir a palavra câncer muitas vezes ao dia, até ele encher o saco e ir embora.

E não esqueça de perguntar os efeitos imediatos, quando fui ao banheiro meu xixi era vermelho. Pensei: estou tendo um treco qualquer, vou morrer, e de tão nervosa que estava nem lembrei que no final da consulta ele mencionou este fato. E como diz o meu amigo Geraldinho, "o que é um peidinho pra quem já se borrou todo?"

Depois continuo com a "aplicação", este post já está enorme!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

11. Corrigindo Injustiças.

No post anterior cometi um erro gravíssimo, perdoável, óbvio. Ah, este tema merece uma postagem nova: se você tem câncer, aproveite para reconhecer erros do passado, todos ficam "tão bonzinhos", como dizia a Kate Lyra naquele bordão dos anos 70.(?)(80?).
Voltando ao assunto sobre o qual vim tratar aqui neste post, para não dispersar.
Clélia, como você pôde confundir Martinho da Vila com o Wando?! "Fala sério", como diz a minha filha.
O nosso velho comunista do coração, sambista dos bons, integrante da escola de Vila Isabel, pai da Martnália, e que leva a gente à requebrar os quadris com a cara bem maliciosa no "o miúdinho, miúdinho". Este é um dos raros erros que a gente comete que não tem perdão... Não tenho nada contra o Wando (esta é a desculpa dos que vão pro paredão..), afinal, já me identifiquei bastante com "moça, sei que já não és pura, teu passado é tão forte, pode até machucar". Quem não achou que esta música foi feita pra você que atire a primeira pedra!
Mas, como disse o meu príncipe: "peço licença para fazer um reparo referente ao autor/intérprete da canção Você Não Passa de Uma Mulher. Quem nasceu pra Wando nunca chegará a Martinho!" . Thanks my friend.

sábado, 25 de outubro de 2008

10.Você não passa de uma mulher

Tem uma música, se não me engano é o Wando quem canta ou por aí, cujo refrão é "você nao passa de uma mulher". Pois é, não queira ser uma super mulher, uma mulher e pronto já está bom. Claro que o ponto de vista do Wando é diferente da meu e falamos de situaçõoes diferentes, mas vamos pegar emprestado por ora. Isto dito...

Depois da biópsia, e antes do início do tratamento, uma amiga me convidou para substituí-la (contratempos) , num Congresso fora do Rio, mas precisamente num Resort na Bahia. Eu fiquei animada, uhuhhh, era tudo que eu precisava, uns dias falando de outro assunto. E o melhor de tudo é que era um encontro de profissinais de outra área, mas nem de longe era chato, pelo contrário, assunto me interessava bastante.

Eram 03 dias num lugar muito legal, com gente que eu nunca tinha visto e nem de longe lembravam meus conhecidos habituais como agentes da cultura, cineastas, produtores, atores e por aí vai. Nada contra, só que eu gostava da idéia de não não estar com meus semelhantes por uns dias, entende?
Eu tinha acabado de fazer a biópsia e estava com o seio cheio de hematomas , maiores do que meu biquini, claro E os meus biquinis são da Ana Amélia, ou seja, para mulheres normais brasileiras.
Estava com a minha porção mulher um pouco, digamos, abalada. O último relacionamento tinha me deixado sequelas nesta área da feminilidade, uma certa insegurança e com a nova realidade de mulher com câncer de mama, vamos combinar, é difícil "vestir uma camisa listrada e sair por aí".

Cheguei e fui direto para o congresso, de homens de camisas listradas e pra dentro da calça com as mangas arregaçadas. As listas variavam, mas em sua grande maioria, todos pareciam ter passado na Richard antes de ir para a Bahia. Mas um grupo variava um pouco e inevitavelmente fui parar na mesa deles, e nesta altura já jantávamos.

Papo vai, papo vem, caipirinha de frutas regionais, éramos 8. Mas um pouco e viramos 6, 2 subiram para o quarto. Que tal tomar um café no bar do hotel, e fumar um cigarro, alguém sugeriu. Ótima idéia, fim do café, éramos 3. Juntamos com outra pessoa que também tomava café e 4 era o número. 4 se divide por 2, e nos encontramos cada um com sua afinidade. Eu me divertia do com R :) (vou chamá-lo assim) que era sócio de uns conhecidos numa empresa e eu nunca o tinha visto (coisa difícil nesta nossa atividade) ou seja, era do mesmo ramo e o papo fluía com facilidade. Mais um café, conhaque e papo vai, papo vem, ficamos os dois. 02 horas se passavam depois do primeiro café, hora de subir, alerta vermelho, terra chamando, alô. Pegadinha ou destino, nossos quartos eram colados umno outro e ainda tinha aquela porta de comunicação entre eles! Rimos da situação e 2 minutos depois estávamos vendo as estrelas, ele tomando um último conhaque e eu comendo chocolate com licor de recheio. Pro beijo foi um pulo. E agora? Naquela situação, só me restava contar, aquilo ia longe. Olha, estou com com curativo, fiz uma biópsia, estou assim, assado, vou começar o tratamento, e pronto, disse, estou com câncer de mama. Ele, ham, ham? E o que é que tem? Qual é o problema de estarmos aqui ? Vamos continuar o papo no café da manhã, mas em vez de bater na porta do teu quarto eu te cutuco, que tal? Era a primeira vez que estava com outro homem depois do pé na bunda e principalmente depois do diagnóstico, tudo era uma novidade pra mim. E não poderia ser melhor, tive sorte. O R :) me lembrou que eu continuava sendo a mesma, que tudo era passageiro, que eu continuava uma mulher sexy e interessante, que esta situação era transitória e que eu não poderia me esconder atrás dela. Foi uma noite muito agradável, com direito a café da manhã no quarto com a porta entre eles aberta, pude lavar o rosto e colocar meus hidratantes e o que é melhor, escovar os dentes com a minha escova!
R:) foi embora naquele dia mais tarde, eu fiquei mais 01 dia e combinamos de nos falar no Rio. Na mesma semana chega um livro na minha casa e um cartão muito carinhoso. O livro: "A Doença como Metáfora", de Susan Sontag, uma execelente leitura e que me ajudou a entender muitas coisas. Desencontros normais da vida que levamos, troca de e-mails e o tempo foi passando. Nos encontramos 02 meses depois, eu já na segunda quimio e ele voltando das inúmeras viajens a trabalho. Foi muito divertido, mas já era outra coisa. Mas pude dizer a R:) o quanto ele tinha me feito bem, o quanto que ele tinha me ajudado naquele momento a me reconhecer a mesma Clélia de sempre dentro daquela nova situação. Fico emocionada só de pensar naquele dia. R:) é um grande homem, um cavalheiro, um príncipe, que me fez sentir uma rainha, e que me ajudou a encarar a situação "sem perder a ternura jamais".
E o R:) tem um lugar reservado no meu coração para todo o sempre.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

9.Vamos ao Oncologista de uma vez!

Conversando com minha amiga Zilda, espirituosa e com tiradas dignas de um compêndio, ela me disse: amiga, você não tem obrigação de ser tão engraçada no blog, e tal e coisa. A Zilda foi e é uma pessoa muito próxima que eu pude me relacionar quando soube o dignóstico e me surpreendeu até, me ligava todo dia, me tirava de casa, etc. Isto merece uma postagem solo, os amigos que chegam mais perto e os que se afastam. E a Zilda tem direito e propriedade para falar isso, afinal ela não desgrudou do meu pé. Ainda bem.
E aí me dei conta de que, a minha primeira visita ao oncologista foi realmente o dia em que fiquei mais triste neste processo que estou vivendo. Saí de lá um trapo.
Tirando o fato do Eduardo (este é o nome dele) ser uma pessoa bastante agradável e um gato, tudo que vem da boca dele é chumbo grosso. Porque, é neste momento, com o oncologista, que você tem a dimensão do seu tratamento, quanto tempo vai durar, o que vai acontecer com o seu organismo, quais as drogas que vão habitar o seu corpo durante um bom tempo e que infelizmente não dão onda nenhuma, e por aí vai.
Chegamos lá na clínica e foram todos muito amáveis. Na sala de espera, você encontra de tudo: homens e mulheres nos mais variados momentos do tratamento. Eu cheguei toda serelepe, oi pessoal, tudo bem, e blá e coisa e tal. Achei que podia ler os pensamento dos presentes: puxa, ela não sabe o que vem pela frente....
Quem é mais ou menos da minha idade deve ter visto um desenho animado chamado bat fino. Era um morcego vestido com roupas de karatê cujo bordão era "suas balas não me atingem, minhas asas são como uma couraça de aço". Cheguei assim lá, e 2 horas depois saía mais para outro personagem de desenho animado, cujo bordão era: "oh vida, oh azar, eu sabia que não ia dar certo...". Foi muito triste. Tinha caído a ficha de que eu realmente estava com cancêr, e que minha vida estava nas mãos de outras pessoas, técnicamente eu não poderia fazer nada, e que à partir daquele momento os tumores ocupariam 80% da minha vida, ok, 90%, melhor, 95%. Todo o meu cotidiano giraria em torno deles.
Saí de lá zonza e com providências importantes para tomar: teria que colocar um cateter, fazer um monte de exames e marcar a primeira quimioterapia. Pedi para ser depois do meu aniversário, dia 09/07. Ok, é o tempo dos exames, seria isso mesmo.
Saí de lá, e em casa evitei minha filha, fugi da minha mãe e da Rai (minha "governanta" e amiga) e me tranquei no quarto. Chorei, chorei, chorei, e me dei conta da minha vulnerabilidade. Minha cabeça não parava, tive os piores pensamentos naquela noite, me senti um ser pequenino, frágil, desprotegido, injustiçado, que o resto da minha vida conviveria com esta faca na cabeça. Cansada e sem conseguir dormir, tomei um remédio e apaguei.
Naquele dia, tenho certeza, acabou mais um pouquinho da minha inocência.
Minha convivência e batalha com e contra o câncer, tinha realmente começado. E como diz a Zilda, não poderia queimar óleo 90 na largada.
Era o dia 12 de junho de 2008, dia dos namorados, e eu tinha acabado de conhecer uma pessoa por quem me apaixonei perdidamente naquele dia: Eu mesma.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

8. Vamos ao oncologista. tchan, tchan, tchan

Como dia o Jack, o estripador, vamos por partes. Sou produtora, convivo com prazos, cronogramas, e, como tenho uma memória horrorosa, escrevo todas as datas importantes senão esqueço para todo o sempre. Já esqueci até quantos anos eu tinha, acredite, e não escondo idade, ainda. Esqueci o ano que me formei, e agora que fui dar aula na PUC e me pediram o diploma é que lembrei, que além de não ter ido nunca mais lá, nem para pegar o diploma, não lembrava nem o ano. Tive que recorrer aos universitários! Literalmente, aos meus contemporâneos.
Minha primeira visita ao mastologista, com minha tia e minha mãe, foi no dia 21 de maio. Tudo 2008. No dia 4 de junho, foi confirmado o CA. No dia 12 de junho foi a visita ao oncologista. Pensa bem, eu estava sem namorado (recapitulando, levei um pé na bunda), e no dia dos namorados estava indo na minha primeira consulta ao oncologista! Programão imperdível, quase deprê, e sem direito a encher a cara depois, nem ia pegar bem!
Mas tem mais: saímos do Jardim Botânico para Copacabana e resolvi ir pelo Túnel Velho. Então, passamos obrigatoriamente por onde? Adivinha? Pelo cemitério!!! Aí foi demais pra mim. Seria uma premonição? Isso queria dizer alguma coisa? Seriam os Deuses Astronautas? Falei, mamãe, é um toque do além... mentira, não falei isso pra minha mãe não, só pensei. Do jeito que ela é impressionável, seria capaz de entrar em parafuso.
Sempre tive uma certa antipatia por Copacabana. É difícil ir até lá, não tem lugar pra estacionar, é longe pra ir de bicicleta daqui de onde eu moro, um leve caos urbano e os dentistas, ah ,os dentistas, numa espécie de combinação geográfica territorial, atendiam todos naquela área. Que mora no Rio sabe disso.
Agora, confesso, amo Copacabana. Além de Claudio, Noca e Lara morarem num apartamento delicoso por lá, meu mastologista e meu oncologista atendem neste nobre bairro. E eles são as pessoas, decididamente, em quem eu mais confio neste momento da minha vida. Além de tudo, são lindos, maravilhosos, sensacionais, gatos, competentes, agradáveis e etcccccétaras. E casados.
Depois conto como foi a minha visita ao oncologista, rsrsrsrs

terça-feira, 21 de outubro de 2008

7. Cinema é a maior diversão

Resolvi falar mais de cinema.
Alguns dias depois do diagnóstico, quando vi, estava com uma lista enorme de filmes "que eu queria rever" , e é claro que ela ficou na estante fazendo companhia para os livros que comprei para este momento "especial" que se iniciava. E eu não conseguia fazer isso pq parecia trabalho. Ai fui mudando o meu foco (todo mundo usa esta expressão, não é mesmo?) aos poucos e quando vi tinha optado pelas comédias. É muito simples, é só ir lá no google e dizer exatamente o que você quer, http://melhoresfilmes.com.br/generos/comedia/page:1 , http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_filmes_de_com%C3%A9dia pronto, é só ir pegando aos poucos na locadora, intercalando os dias com a telona do cinema, claro! É uma garantia de papos melhores e mais agradáveis além de ter feito você rir com estímulos.
Depois conto a visita ao oncologista.

6. Cancêr também é Cultura.

Como tinha posto em dúvida a ortografia correta da palavra se sacanear ( auto sacanear, me auto sacaniei) e por aí vai, minha amiga Bebeth me esclareceu: "o correto será autossacanear, com esse tanto de letras 's'". Viram? Por aqui também se aprende a escrever corretamente, valeu Bebeth.
Outra dica: cinema. Vá bastante, primeiro por que eu faço e precisamos de público, segundo porque é simplesmente sensacional você viver outra vida ou se interessar por outra vida que não a sua por pelo menos por 2 horas! Ah,mas tem que ser comédia, peloamordedeus! Nada de drama, pessoas doentes, guerra, catástrofe, e por aí vai. Não agora, não seja masoquista, você já tem problemas demais. Não é necessário ser comédia rasgada, tudo bem, um filme levinho, nada de muito complexo, a gente fica meio burra e fácil de voltar para o seu próprio umbigo. Lembre-se, rir faz bem, aumenta os leucócitos, te deixa mais imune a outras doenças.
Depois conto soobre a visita ao onclogista.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

5. Plano de Saúde Resolvido

Algumas pessoas me perguntaram o que eu fiz em relação ao plano de saúde, afinal, estava ficando pobre já que tinha optado, antes, por um plano só de internação, os meus examos eram semestrais e baratos, e o médico da minha filha não era do plano, fiz as contas, noves fora,vou ficar um tempo assim. Mifu. Então, resolvi, voltar ao tradicional, está tudo certo, não vou fazer rifa e nem vaquinha entre os amigos, apesar de achar uma boa idéia, tenho planos de viajar com a minha filha e minha mãe em julho para comemorar nos EUA pós Obama. Eu NY, minha filha Orlando e minha mãe Miami. Isso que realmente chama-se conflito de gerações. Ah, brincedeirinha sobre a vaquinha, viu?
Depois conto a visita ao oncologista.

domingo, 19 de outubro de 2008

4. Continuação do anterior

Então, mandei para mais 02 amigas queridas. Uma já me respondeu e disse, vai fundo dane-se o motivo, e mais ou menos assim: tudo vale a pena se a alma não é pequena viva Pedro Luis. Aí resolvi continuar por enquanto. Porque na verdade, quando recebi o diagnóstico, não consegui chorar ,urrar, ó meu Deus, e nem me descabelar (kakakakakaka, me descabelar agora é impossível!), e fiquei quase culpada por isso, resquícios do cristianismo do vovô Bessa, certamente, e do manto sagrado que se coloca sobre o assunto. Não quero diminuir o peso da situação e sei o quanto ela é grave em muitos casos, toc,toc,toc, mas sinceramente, passado o susto inicial, nunca achei que fosse morrer. E realmente ainda acho. Ou melhor, não acho. Confesso,quase envergonhada, que pensei, putz, vou colocar peitos novos e da maneira que eu quero! Quem experimentou os velhos, ok, tem milhagem. Pensei nas diversas mulheres que poderia ser com perucas diferentes, e na verdade, por não ter noção do que vinha pela frente, me auto-sacaniei ( com a reforma ortográfica será "autosacaniei" ?) o quanto pude. Me ajudou bastante. Fora, é claro, saber que câncer de mama hoje é realmente curável, e todo mundo conhece alguém, amigo de alguém, a mãe, a sogra, etc, etc que já passou por isso e está ótima! Atenção, este "está ótima!"é de regra. Se a pessoa morreu, não pergunte. E se alguém estiver contando e parar no meio, não queira, de maneira nenhuma saber o final, a pessoa citada certamente deu uma morrida, e isto não fará bem. Você começa a contar nos dedos da mão direita e da mão esquerda quem morreu e quem não morreu e vira uma espécie de ibope do cancêr, pesquisa de boca de urna, um inferno. Melhor ir concordando com a conversa, balançando a cabeça, ham, ham, mas ficar pensando em outra coisa. Além do que você vai achar que na verdade todo mundo teve câncer de mama e só você não sabia!

3. Porque escrever sobre isso?

Resolvi escrever sobre ter Câncer e as sensações que a doença desperta simplesmente porque não me sinto com Câncer, dá pra entender? Quer dizer, me sinto, mas não da maneira que estamos acostumados a ver por aí, digamos, na mídia. Porque acredito que tenha muita gente que sente o mesmo que eu, eu queria compartilhar e fazer alguma coisa com esta sensação. Já tinha pensado várias vezes sobre o assunto, afinal, se a vida te deu um limão, faça uma caipirinha. Pensei em me engajar na campanha sobre o câncer de mama, procurei sites sobre o assunto, fui na caminhada, muito legal, fiz o caminho de santiago de quem recebe a notícia que está com Câncer. E mesmo achando tudo muito relevante e importante, nada me fazia sentir melhor. Até que, numa grande livraria, fui parar na sessão de auto-ajuda (é impossível não ir até lá quando somos pessoas com câncer) e vi um livro "Cancêr, e agora", de Kriss Carr. Gostei da capa, bem bonita e que nem de longe parecia tratar deste assunto. Li a orelha, beleza. O prefácio era da Sheryl Crow, uma espécie de mulher gata que ainda cantava e compunha bem. Comecei a ler ali em pé, perdi o cinema que ia na meia hora seguinte e só larguei porque senão no dia seguinte já teria acabado. Tinha me apegado ao livro. E tinha achado uma maneira de rir de mim mesma. Fundamental. Quando acabei de ler, pensei,eu quero fazer isso! Escrever e compartilhar com pessoas com quem eu tenho afinidades.
Liguei para minha amiga, marida, sócia, comadre RRRRôse ( gosto de chamá-la assim), e contei. Ela, legal Clélia, excelente, escreve sim, maneiro. Esqueci de acrescentar um adjetivo pra ela: Animada! Nós somos sócias e amigas desde 1993, eu acho, e faz tempo que sempre compartilho com ela as coisas mais importantes da minha vida. Por causa dela as palavras "na saúde na doença, na alegria e na tristeza, para amar e respeitar e blá, blá, blá...... existem. E não rola sexo. É uma sorte ter uma amiga assim. Na verdade, quando esboço fazer alguma coisa ela sempre me anima, é como que se eu me desse mal, no problem, ela estará por ali por perto.
Aí cheguei em casa, abri um blog e escrevi de tacada. Neste momento que escrevo, ela ainda não leu nada, e se ela não gostar talvez seja a última postagem, não me arrisco a seguir em frente publicamente sem ter certeza que ela vem logo atrás, tocando o pandeiro.
Bom, aí mandei pra minha mãe, que até o momento não leu pq estava muito ocupada jogando buraco virtual, e pra minha Tia.com (é assim que ela assina atualmente) que é a RRRRRRôse da minha vida em família. Essa então me acompanha desde sempre, mas de uns anos pra cá, que eu estou quase da idade dela, ficamos mais amigas. Ela leu e fez um comentario do tipo: você é muito corajosa de se expôr assim.., Aí eu pensei: será que sou corajosa ou exibida? Estou pensando ainda, e como o dia está chuvoso e devo ficar em casa, vou ter muito tempo pra pensar. Mandei para a minha amiga Vieira também, outra marida que eu tenho. Essa joga pesado e vai me fazer um monte de perguntas.