quarta-feira, 12 de novembro de 2008

18.Cabelo,cabeleira,descabeludo, descabelada


que falei sobre cair no Rio Negro careca (post 17) e que agora aboli a peruca, me deu vontade de contar o ritual da careca.
Meu cabelo estava caindo aos tufos e fui cortando devagarinho, mas mesmo assim era muito desagradável a sensação de ir se desmanchando
Como falei numa postagem anterior, minhas amigas mais próximas tem filhas meninas, todas mais ou menos da idade da minha Elisa, de 9 a 12. Alice, Eurídice, Maria, e Tereza, são as mais velhas, mas tem ainda a Lara e a Antonia, de 7 e de quebra a Rosa, de 4. Eita mulherada! E todas ammmmmmammmmm cabelos, claro.

Aí minha amiga/marida RRRRRRRRRRRRRRôse fez o primeiro trabalho. Pegou a máquina do maridão Tuco, pai de Rosa e Daniel, e deu um primeiro than. Beleza, valeu, até mais.

Depois resolvi fazer disso um cerimonial, chamei Paulinha, minha "irmã" e mãe da Alice que mora perto de mim no Rio e juntei as meninas. Achei que elas deviam ver a transformação da tia Clélia ao vivo e a cores, além de terem a oportunidade de cortar um cabelo de verdade, não só das pobres das bonecas que jamais teriam a sorte de ter os cabelos de volta um dia, como eu teria.

Aí foi uma festa! Ana, mãe da Maria, providenciou o creme de barbear para ficar mais fácil de raspar a cabeça. Aqui abro um parêntese. Meninas solteiras, é fundamental ter espuma de barbear, assim meio por acaso, em casa. Nunca pensei o quanto os rapazes se sentem seguros com a possibilidade de poder fazer a barba pela manhã. Ana é realmente esperta.

Bom, aí abrimos um vinho, e começamos os trabalhos. Paulinha, com sua habilidade com as mãos meio duvidosa, mas em compensação uma das pessoas de minha inteira confiança, começou a raspar meus cabelos que restavam. E as crianças peruando, minha filha Elisa meio cabreira mas Alice, que é hilária, achando tudo uma farra.
A primeira fez tchan, a segunda fez tchun e tchan, tchan, tchan, estava como vim ao mundo, carequinha.
Depois de meia hora as meninas já estavam noutra onda e mudado de assunto, eu e minhas amigas ficamos de conversa na sala mais um tempinho e na hora cinderela todas se foram para suas casas.
Elisa foi dormir e entrei no banho.
Foi um banho bem demorado, chorado, era a primeira vez que me via totalmente sem pelo.
Demorei um tempo extra deixando a água cair na careca. Era uma sensação que me aliviava.
Como a quimioterapia transforma sua pele num cuscuz, acabei o banho e comecei uma demorada sessão de hidratantes, e pela primeira vez coloquei na careca.
No final de tudo resolvi: tudo que economizaria com shampoos neste período doaria para uma instituição de apoio às crinças com câncer. Depois desse dia começei a "comprar" shampoos bem caros.

10 comentários:

Fernanda disse...

Clelia, minha chefe querida está com vc aí em Manaus e me falou do seu blog. Adorei os posts, carregam uma atitude incrível e inspiradora. Quem foi que disse que só tem um jeito de olhar pro mundo? Bravo!

clelia disse...

Oi Fernanda, valeu. Mas menina, quem é sua chefe querida? Queria que as meninas que trabalhm comigo se referissem a mim desta maneira!
bjs, Clélia

Sâmia disse...

Olá. Vi a matéria na Folha e vim espiar.
Tenho 27 anos e acabo de escapar de um susto: uma suspeita de câncer de pele me levou pra mesa de cirurgia. Estou ótima, sem os pontos, o repouso já acabou, não tenho nada, e resolvi que ganhei uma cicatriz muito da sexy (ainda por cima é perto da bunda) pra não encanar com ela. É claro que teve a parte triste, dolorosa, mas e daí? Já passou!
Parabéns pela força e ânimo! E continue a escrever. Se não funcionar como terapia pra você, servirá para quem vier te ler e precisa de inspiração (e o que é melhor, de graça!). :)
Parabéns. E boa sorte.

sub-literatura disse...

clélia, minha querida...
bom saber de você assim, com suas palavras neste blog já maravilhoso. você agora tem em mim um leitor e incentivador dessa sua viagem internáutica.

muito bom o que li aqui, muito bom ouvir de você. sigamos.

beijo e carinho

toinho (do café do alto)

Carlos Lacerda disse...

Clélia,

você é uma mulher fantástica.

eu poderia saber a data, local e hora exata do seu nascimento?

meu e.mail é: co.lacerda@uol.com.br

Muita força.

Cleia disse...

Clélia querida!
Nem tivemos tempo de ser apresentadas oficialmente no Festival de Cinema (sou a RP do festival e faço a revista do AFF) ...mas depois que li seu blog sobre seu banho no rio negro e de saber que vc. te(m)ve cancer...dispenso as formalidades da apresentação e posso te dizer "Bem vinda ao clube querida!". Tive de mama...perdi meu simbolo sexual em 2001, mas logo em seguida ganhei uma outra vida com o nascimento da minha quarta filha Naruna. Para encurtar a conversa sete anos se passaram...e eu estou aqui contando esta história em poucas palavras para não ser chata...mas assim, gosto mesmo de ter passado por tudo que passei, step by step, aprendi muitas lições que me tornam melhor como ser humano. Vc vai ficar boa apenas tenha FÉ...e ria muito...muito mesmo!
Que Nossa Senhora lhe cubra com seu manto em todas as horas que vc necessitar de forças!
Super beijos
Cléia Viana

Solange disse...

Olá Clélia,

Em 2007 descobrir um câncer de mama, estava fazendo exames para tentar engravidar. Operei de um nódulo benigno em jan/07 e dai começou minha luta, em fev/07 fiz outra cirurgia. Antes de começar o tratamento de quimioterapia, fiz congelamento de óvulos por orientação da médica pq poderia acontecer da quimio matar meus ovários.
Mas sabe Clélia Deus é muito bondoso e isso não ocorreu.
As vezes falo p/ o meu marido que não tenho lembranças ruins da quimioterapia, foi duro no começo mais foi um aprendizado. Não vou mentir fiquei muito triste de ficar sem cabelos tanto tempo, usei peruca quase todo o tratamento pq trabalho em uma loja e não queria q as pessoas me olhassem com aquela cara de morte.
Um ano se passou e hj estou ótima e muito melhor do que antes.
Tenho 37 anos e se Deus quiser daqui 2 anos, estarei tentando engravidar.

Um Grande beijo e parabéns pela coragem!

Acreditar essa é a palavra!

Mariana Rocha disse...

ê turma pra fazer farra, hein?
queria estar aí com a mulherada! beijos clelia querida! vamos fazer uma coluna de moda só pra carecas??

Fernanda disse...

Clélia, minha chefe é a Sofia Carvalhosa, assessora de imprensa do Amazonas Film Festival! E ela é bem querida mesmo... hehe. Ela me contou sua história e vim dar uma olhada no seu blog!

Anônimo disse...

bom, estou no começo do tratamento, ainda nao sei nada direito o que vai acontecer comigo, a radioterapia é tranquila, mas a quimio realmente carrega alguns estigmas dificeis, pow mexer com a vaidade é mto forte, mas agora me reservo o direito de pensar no pós-tratamento e venha o que vier vou encarar, choro? e vez em qdo, acho que até alívia, mas a possibilidade de se libertar e se ver curada é mto maior....