sábado, 6 de junho de 2009

72. ALGUMA COISA ACONTECE NO MEU CORAÇÃO... QUE SÓ QUANDO CRUZA A IPIRANGA....



Moro no Rio, mas adoro São Paulo. Fazia tempo que não passava por lá, um pouco antes do meu diagnóstico, talvez um mês antes e lá se vai mais de um ano... Evitei reuniões em SP neste período, fazendo quimioterapia me sentia um pouco cansada, tive alergia nas mudanças climáticas e meu oncologista preferia que eu ficasse por perto. Sabe como são os oncologistas, né? Ciumennnnnntos.
Durante 03 anos toda segunda feira trabalhava na cidade e sempre era incrível apesar de ter que encarar uma ponte aérea na manhã de segunda e nem sempre animada, claro.
Começava na saída do Rio. Saia do Jardim Botânico e pegava o Aterro do Flamengo, que já é maravilhoso, obrigada Burle Marx. Chegava lá no Aeroporto Santos Dumont me dava uma alegriiiia, obrigada Marcelo e Milton Roberto (arquitetos responsáveis pelo projeto). Só o Aeroporto já era demais, acrescente isto a uma abençoada vista privilegiada do Rio de Janeiro sob o ponto de vista da janela do avião. Obrigada Deus.
Bom chegar a São Paulo também é o máximo, é de uma riqueza que orgulha. Homens engravatados, mulheres bem vestidas, táxis novos em folha, e aquele friozinho básico. No inverno, me sentia muito bem em vestir roupas que só vestiria na Europa (pelo menos na minha imaginação) e que graças a SP elas se livraram do cheiro de naftalina.
Voltei depois de um ano para dois dias de trabalho. Vim participar de um Fórum de TV e fiquei na cidade por 02 únicos dias e tive a falta de sorte de pegar o “ a noite mais fria de SP”. Caraca, foram 7° graus, de bater o queixo, um frio do cacete, daqueles de doer os ossos e não ter vontade de sair do quentinho do edredon.
Mas tudo bem, pedi então tome! Quis usar minha roupa bacana, então foi mandado um dia especial para que eu me vestisse o mais chique que eu pudesse e também iria estrear em SP meu novo cabelo-pós-quimioterapia e encontrar pessoas que não via desde que parei de “circular” em eventos meios cansativos como este. Explico: não cansativo de ser chato, mas cansativo de ser cansativo mesmo, horas em pé e andando de um lado pro outro !
Aprendi 4 coisas em SP desta vez que eu fui e repasso humildemente pra quem vem aqui nesse meu puxadinho.
1. É o seguinte: São Paulo tudo é meio longe, e se o evento que você vai tem o endereço que traz a palavra EXPÔ na frente, se prepare, você vai andar muiiiiito, não só pra chegar lá como andando dentro do próprio evento. Fiquei acabada. E aprendi uma lição nesta minha ida : VÁ DE TÊNIS e jamais com aquele sapato bacana que você achou que ficaria linda, gata, maravilhosa e garbosa. Prefira seu bem estar e conte com sua inteligência.
2. Que os bolsos dos blasers vêm costurados. Como estava frio, instintivamente a gente procura os bolsos, mas ao procurar o meu bolso percebi que ele estava costurado. Pensei, mas que loucura, um bolso falso! Meu amigo Leitão, bem viajado me explicou: Clélia, os bolsos vêm costurados levemente, mas é só dar uma puxadinha no fio que ele aparece. Ufa: Alívio. Como é que puder viver 45 anos sem saber disso?!
3. Nunca dizer para um amigo “que vai dar uma passada aí”. Impossível. Qualquer passada que vc vai dar na casa de alguém, dependendo da hora, é praticamente dormir com a pessoa. Tentei, mas não consegui fazer mais nada que durasse menos de 4 horas, sendo 1:30 pra ir e 1:30 pra voltar. O social e mais a Expo, fiquei exausta, desisti e optei em pegar o "Caminho das Índias" e ficar com o Raj naquela noite, que incrivelmente não descobre que diabos de telefonemas a Maya recebe no Brasil já que ela não conhece ninguém por aqui!!
Entediada com a situação, me agarrei no livro "A Cidade Ilhada", de Milton Hatoum, que alimentou a minha imaginação.
4. E por fim: O uísque do aeroporto de Congonhas é um roubo!

Mas, como falei, adoro SP e sair de Congonhas e ver a cidade da janela do avião com seus prédios incríveis, e sua mais nova ponte linda, dá uma sensação boa de que o Brasil deu certo. Pelo menos da janela do avião.
E para finalizar mesmo, de uma vez por todas, este post é dedicado aos meus queridos e preferidos arquitetos: Marlene & Almir Fernandes, Alder Catunda, Pedro da Luz, Mônica Salgado, Cristovão Duarte & Claudinha, Marcia Tacsir e a mais recente amiga Mariana Dias Vieira, que se dedicam a pensar e a tornar nossos espaços mais belos. Thanks my friends.

9 comentários:

Samir Abujamra disse...

Um ótimo texto e uma ótima viagem.

Menina Robô disse...

Obrigada pela dica,
só estive em SP uma vez, e foi no aeroporto de Guarulhos,
a única coisa q gostei foi do clima friozinho...

Bjokas =*

Kariny

Mylla Galvão disse...

Clélia,
Que texto interessante!!!
Parece que a gente tá se vendo em São Paulo!!!
Menina, Deus te deu um dom maravilhoso!!! Voc~e escreve bem demais!!!
Bjão

cayo disse...

Clélia,
Adoro seus textos, sempre que posso indico seu blog. Parabéns!
Guardo até hoje o livro de Janete Costa que vc me deu na minha última viagem ao Rio em 2004.
Muitas saudades de vcs! Naquela época estava estudando ainda, hoje sou arquiteto formado!
Um enorme abraco!!!

Regininha disse...

Maravilhoso o seu post. Me senti viajando com vc. Boa semana p vc.
bjo

Renata (impermeável a) disse...

São Paulo é tudo! Tambem ador ir passear... andar... ou passar e ver tudo da janelinha do avião!

Cabelo novo... hum.... fiquei curiosa...




beijos

Mylla Galvão disse...

CLÉLIA,

TEM SELINHO PRÁ VOCÊ NO MEU BLOG IDEIAS DE MILENE
http://ideiasdemilene.blogspot.com

BJÃO E BOM FERIADO!

Rosario-SP disse...

Clelia, atualment esó gosto de São Paulo para visitar assim como vc fez, dois tá ottttttttimo! Mas os meus oncologista tb não me deixcam ir longe. Então o jeito é ficar em Sampa! Bjs.Paulista

Eliane Furtado disse...

Olá, temos algumas coisas em comum. O gosto por São Paulo é uma delas.
A outra? passe por lá sentencaourenovacao.blogspot.com
Parabéns, lindo blog!